sábado, setembro 22, 2012

ALMA PELA NOITE

Os sons do mundo lá fora entram pela janela aberta,
o ar fresco da noite embala as cortinas docemente.
Tenho a alma incolor, inodora, fria e silenciosamente deserta,
e o coração bombeia o sangue como sempre, compassadamente.
O mundo "pula e avança" nas palavras do poeta,
o mundo jaz moribundo, atirado a uma qualquer praia deserta.
O mundo é a bola colorida entre as mãos de uma criança,
o mundo é uma amalgama de destroços onde fenece a esperança.
Mas ruge e agita-se o mundo, sem cessar, sem rodeios,
preso, agrilhoado, o que for! mas vibra a cada momento.
E a minha alma soçobra devagar, cai de mansinho sem devaneios,
apaga as luzes ténues de uma inocente credulidade, sem um lamento.
Pela minha janela aberta, chegam os sons do mundo, incoerentemente.
Pela minha janela aberta sai a minha alma fria e apagada, tristemente.

segunda-feira, setembro 10, 2012

ULTIMO ACTO






Desce a cortina devagar sobre o ultimo acto
de uma qualquer peça sem história, desarticulada,
sem jeito, sem cor, sem memória. Com o frio fiz um pacto,
de noite negra me vesti, e saindo caminhei, desencontrada.
Desencontrada de mim, despida de luz, de vida e cor.
Errante, pelos caminhos que trilhei um dia na crédula ilusão
de que a vida é bela, que tudo é possível, que vencerá o amor.
Cada passo é um turbilhão de sentimentos, um duro grilhão
em cada sonho desfolhado. Uma furtiva lágrima de desilusão.
Desceu o pano sobre o ultimo acto de uma peça qualquer,
desce mansamente a aveludada cortina, parece que quer
amordaçar todas as dores, afogar a solidão...

Mas não...Apenas põe um fim a um coração.