domingo, dezembro 28, 2008

AUSENCIA

Nos braços da ausencia me deitei,

acordei no silencio frio da solidão

e de lagrimas e soluços enfeitei

os lençóis onde mora a desilusão.

Nos braços da ausencia me deitei

e neles encontrei porto de abrigo,

é neles onde por ti sempre esperei

é neles onde morro sem estar contigo.

Os braços da ausencia me rodeiam,

e calam fundo a dor desta saudade

são tenazes duras que golpeiam

as esperanças vãs de felicidade.

terça-feira, novembro 25, 2008

INVERNIA

No frio da estrada deserta

ecoam os passos pedidos

martelando a calçada.

De alma nua e desperta

entre soluços sofridos

de lágrimas enfeitada.

Soam os passos sem rumo

pelas pedras desbotadas,

como folhas arrancadas,

páginas feitas de fumo.

No frio deserto da noite,

escorrendo, o silencio magoa.

Barca de negra proa

sem porto que a acoite.

As pedras de olhos baços

engolem os passos perdidos,

escrevem no eco os traços

dos sonhos desvanecidos.

E só o frio trespassa, gélido

sem piedade...



sábado, setembro 20, 2008

PARTI...

De pés nus e alma errante


abandonei-me ao destino,


perdi-me nas ondas do levante


transformei-me em orvalho fino.


Caí do céu, molhei a terra,


lavei as mágoas, enchi ribeiros,


afundei-me nas entranhas da serra,


escorri distante pelos carreiros.


Fui lama, fui cinza, fui sal,

fui vento agreste ao por do dia,

fui todo o bem e todo o mal,

fui o carrasco e quem sofria.

Parti num dia de nevoeiro

sem deixar rasto ou sombra,

apenas um leve cheiro

de musgo, Outono e poesia.

domingo, setembro 14, 2008

ALMA ERRANTE

Nasce o sol, cresce a lua,

passam as horas e viram os dias.

A minha alma errante e nua

vagueia descalça, sozinha e sombria.

Trilha cada pedaço de céu

em passos doridos na terra,

clama por um aconchego só seu

para encontrar apenas a guerra,

esta guerra surda e fria

sem tino e desgovernada,

em que se lança à porfia

sem sentido, nem esp'rança nem nada!

Quantos sois e quantas luas

mais terá que ver nascer?

Quantas lutas duras e cruas

mais terá que combater?!

domingo, setembro 07, 2008

PARAR O TEMPO


Se ao correr da mão o tempo parasse, e ao piscar de olhos o nada fosse tudo, se o nascer de cada aurora deparasse com um mundo novo, belo, limpo e mudo! Completamente mudo, em que o som do silêncio se elevasse calmamente, nos preenchesse, nos aninhasse, nos desse a mão e encaminhasse para a vida docemente. Ah como serio belo o mundo! Como seria perfeita a vida!
Ouvir o silêncio, beber a vida, perceber o simples pulsar da semente a crescer.
Senti-la pequena, dividida, subdividida, repartida, tripartida e por fim…Florescer! Se ao correr da mão o tempo se aquietasse, se ao correr das horas congelasse o momento preciso em que te toco… Se o tempo me desse tempo, se a vida me desse a VIDA, essa que eu não troco por nada que a vida tenha. Ah se o tempo se imobilizasse, e eu pudesse apenas ter-te!

quarta-feira, setembro 03, 2008

VENCER/PERDER

Quando se vence ?

Quando se perde?

Quem vence e quem perde?

Há um vencido para haver um vencedor,

há um vencedor para haver um vencido.


Hoje ganho...Amanhã perco,

hoje choro...Amanhã rio.

Para eu rir alguém chora,

para eu chorar alguém ri.

Há um vencido para haver um vencedor,

há um vencedor para haver um vencido.


Quando se vence na realidade?

Quando se perde de verdade?

Quem perde e quem vence?

Há um vencedor para haver um vencido,

há um vencido para haver um vencedor.


Nesta vida quem vence? Quem perde?

sábado, agosto 30, 2008

NÃO PENSES! NÃO SINTAS!


Tu oh cabeça, não penses
e tu coração não sintas.
Minh’alma olha que mentes
ao pintares com essas tintas
este quadro que é meu!
Vê bem que é escuro de breu
e não brilhante e colorido,
cabeça deixa de pensar
tira daí o sentido!
Coração, porque não parar?
Simplesmente deixares-te ficar
como que adormecido e calar
tudo o que dentro te vai.
Alma, cala-te, aquieta-te e esquece,
tudo o que entra, um dia … Sai!
Nada resta, fica ou permanece.
Por isso, tu cabeça, não penses!
E tu coração, não sintas!
Alma, cresce e luta que vences
esta batalha de fintas!

sexta-feira, agosto 29, 2008

CORAÇÕES DE PEDRA

Corações de pedra, intransigentes,

corações duros e prepotentes.

Como se vive com uma pedra no peito,

actuando e falando de forma diferente?

Como se dorme tranquilo no leito

depois de arrasar uma vida latente?

De que serve dizer "perdão"?
De que serve à palamatória dar a mão,

se o coração é uma pedra, fria e dura?

De que serve a intransigência nesta vida,

se amanhã a nossa alma mais ou menos pura

vai entregar-se ao Criador? Só Ele a dá como perdida

ou como outra coisa qualquer.

Porquê uma pedra insensível no lugar de coração?

Porque não perceber um coração de mulher

e a força singela da sua razão?

Como se vive com uma pedra no peito,

e na alma se exige o maior respeito?

Corações de pedra, corações duros,

que criam barreiras e elevam muros!


quinta-feira, agosto 28, 2008

UM FUNDO DO MAR...UNICO!

PETRA



























Cidade de encantos indescritiveis, património da humanidade e com toda a justeza!

Petra é o sonho tornado realidade por mãos humanas há milhares de anos.

quarta-feira, agosto 13, 2008

AREIAS

O vento quente abrasa o rosto

entorpeçe os sentidos,

viola o corpo como um fogo posto,

devasta os olhos e os ouvidos.

Rodopia e volteia enganador,

quebra-te o espírito,enlaça-te a alma

devora-te docemente no seu calor.

O vento vermelho que escalda com calma

que desnuda os sonhos, que marca a vida,

que acerta o passo em cada nova partida.

No deserto pleno de sons e cores

impera o vento dos desamores.

PALAVRAS DE VENTO





E das escaldantes areias o silencio crestado se eleva, sussurrando palavras de miragem e sonhos, de desejos calados e lágrimas escondidas.






Que pés de fada ou querubim deixariam trilho de igual beleza?
Nenhum, porque escaldariam a delicada pele neste solo inóspito, só um sobrevivente consegue caminhar e deixar a sua marca, como estas.




Deixa-me ser sal. Branco, puro...Apenas sal; O teu.

sábado, junho 28, 2008

PENSAMENTO....


"A capacidade humana para se adaptar às mais variadas circunstancias é espantosa! Somos tão perfeitos que nos tornamos naquilo que faz falta ser de momento, temos força onde parece que tudo falha e já nada resulta, encontramos animo para seguir em frente quando parece que não há mais caminho possível, acreditamos naquilo que é quase impensável acreditar, lutamos mesmo quando nada faz sentido, somos perfeitos e não nos damos conta dessa perfeição.
Aceitamos por amor, tudo, desde que tenhamos um raiozinho de esperança, e ele pode ser tão pequeno e ténue como um teia de aranha, uma gota de orvalho, uma simples lágrima perdida. Agarramos todas as hipóteses, seguramos cada momento, inventamos, desdobramo-nos, trocamos os tempos ao tempo, fazemos de tudo quando amamos a sério, quando alguém entrou profundamente na nossa vida e nos moldou, aninhou, acarinhou, nos deu e recebeu.
A capacidade humana de sobreviver é imensa!
Quem experimentou a dor profunda e marcante sabe que é verdade, que fosse lá pelo que fosse, acreditando, sonhando, arrastando-se inclusive, mas sobreviveu, encontrou um equilíbrio para prosseguir. Pode ser fraco, e até nem sequer ser equilíbrio e sim um refugio, um sonho, uma pequena luz ao fundo de um túnel, comprido e escuro, povoado de medos, de incertezas, de «ses e porquês», mas por essa pequena luz, por esse foco minúsculo, caminha e luta, não abre mão, não desiste. Pode seguir calado, chorando, rezando, pedindo e quantas vezes soçobrando para depois de mais uma queda se levantar e de joelhos esfolados e rasgados, sangrando e de lágrimas a escorrerem pelas faces prosseguir. Mas….Aquela força que temos e que não sabemos de onde nos vêm caminha connosco, silenciosa e amiga. Dá-nos a mão, faz-nos acreditar que os impossíveis por vezes são possíveis, lembra-nos que a esperança é a ultima a morrer e que não devemos abrir mão daquilo que na realidade queremos. Por vezes calamos e empurramos para o fundo de nós mesmos, para fazer de conta que não existe, que não pode ser, mas um dia esquecemo-nos das trancas e esse querer profundo vem ao de cima lembrar que temos um propósito na vida, que temos um sonho por cumprir e pelo qual vale a pena pegar em armas e lutar, enfrentar o mundo, carregar a adversidade e aceitar o que vier pelo caminho tudo por amor. Ele é o motor da vida e sem ele nada vale a pena.
A capacidade humana de lutar pelo que quer e acredita não tem limites!
Perfeitos, complexos e ao mesmo tempo tão simples, mas com tantos entraves que impomos a nós mesmo e que nos impõe. Barreiras, normas, sociedade, tradição, nome, posição…Tantas coisas com que nos ataviamos e para quê? Porquê?
Só temos uma vida, aqui e agora, de quem é o próximo segundo? Onde estaremos daqui a um segundo? Nos braços do Pai? No fundo de uma ravina?... Valerá a pena sacrificar o amor, a felicidade, a comunhão, a presença de alguém, o conforto da compreensão, da ajuda, por normas e barreiras? Temos de concreto o aqui e agora nada mais, temos esta vida para viver, porque a outra vida será de outra forma, sem as dores e as mágoas do humano, teremos, creio eu, só o divino como coração a bater, seremos de uma outra dimensão, de uma forma que não tem nada de humano, mas …. Até que esse dia chegue, o que temos mesmo é a vida nesta terra, as lutas, os bons e maus momentos, e a FELICIDADE ao alcance da mão."

sexta-feira, junho 27, 2008

VAZIO IMENSO

Hoje o dia esvaiu-se pela brecha do vazio,

e...Como fazia frio!

Perdeu-se na imensidão das horas vãs

olhando o vazio, qual rainha em barbacans

abandonada ao destino.

Rainha de um reino sem tino,

sem rei, sem valete e sem cor,

rainha de um vazio que a dor

habita no mais fundo da alma,

lavrando em chamas esta calma

onde apodreçe e vegeta.

É tão, mas tão Asceta!

Hoje o dia rasgou-se em Nada,

entranhou-se em cada espaço,

fez sua casa e morada

numa vida de cansaço.

quinta-feira, junho 19, 2008

ABISMO

Entre exames e muito trabalho venho de fugida, para que não pensem que me "esqueci" das lides.Beijo imenso a todos vós. Obrigada pela presença.


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A tarde caía rapidamente e o sol já quente da Primavera, nos tons laranjas vivo, punha tons de cobre nos cabelos anelados e fartos da figura algo cheia mas ainda com um toque de elegância que sobre a beira do penhasco se sentara. A breve e suave brisa do mar trazia às narinas as fragrâncias próprias das algas, e da praia, das águas salgadas e batidas que lá em baixo se agitavam. Ao seu lado a caneta e o bloco repousavam e as mãos abraçando os joelhos flectidos exibiam um pequeno anel de brilhantes no anelar esquerdo. O queixo apoiado sobre os joelhos e o olhar perdido no horizonte emprestavam um ar de doce sedução à mulher perdida em pensamentos e memórias. Parecia que queria abandonar tudo naquele fio de névoa que se elevava da linha do horizonte, desfiava um rosário de paixões e mágoas, de desejos e sonhos perdidos.
Como passara o tempo! Que fizera de si? O que tinhas agora nas mãos? Um cofre de memórias gratas mas magoadas, um vazio imenso sem sentido em que se arrastava havia anos, um trabalho que gostava de desenvolver e que a absorvia por completo, mas também aquela sensação colada à pele e à alma de deserto, a aridez de percorrer só, o caminho que deveria ter sido a dois. Tantos anos já haviam decorrido desde que a cisão se dera, desde que decidiram que cada um seguia por si o seu caminho e mesmo assim doía horrores! Não havia sido capaz de superar e o amor que entregara mantinha-se inalterado e calado bem fundo no seu coração. Os anos começavam a pesar e o encanto dos vinte passara havia muito, naquele momento, de olhos fechados, revia o rosto amado com uma nitidez que doía, quase lhe podia sentir o cheiro da pele, sentir o hálito morno, tocar…. Abriu os olhos marejados de lágrimas e deixou que um profundo soluço há muito trancado no peito subisse à garganta e tivesse voz. Aos poucos o pranto tomou conta dela, abandonou-se à vastidão da mágoa que a feria impiedosamente e sacudia como uma verde vara em dia de temporal. Todas as lágrimas acumuladas de anos caíam agora como cascata solta e revolta dos olhos castanhos profundamente tristes. Tanto tempo trancara em si, não permitira soltar aquele enorme peso de solidão e desespero! E para quê? Porquê? Ele seguira sem se virar uma única vez o caminho que traçara e ela ficara a olha-lo na distancia e acabara por virar-se também e trilhar um novo rumo. Como gostaria de o ver uma última vez!
O dia caíra completamente sem que se tivesse apercebido disso e a noite envolvia-a com o seu bafo frio e salgado. Acordou do transe em que permanecia após a descarga de choro e deu-se conta que só o céu estrelado velava lá bem em cima. Não lhe apetecia sair dali, a pele reclamava agasalho e o estômago comida, mas tinha a sensação que ganhara raízes, que se tornara pedra dura como o penedo em que se sentara, tudo em si estava embotado, desde os sentidos à capacidade mental, passando pelo físico, os seus músculos eram rocha, não mexiam. De repente o som cantante do telemóvel dentro da mala arrancou-a do ponto para onde se deixava cair, e provocou-lhe um arrepio geral. Quem se atrevia a quebrar-lhe a imobilidade? Quase podia ouvir os seus tendões e articulações a ranger, a torcer, como se um processo de fossilização iniciado houvesse sido quebrado naquele instante para voltar a perceber que o sangue girava no corpo. De má vontade esticou a mão e atendeu o intruso. Uma voz que julgou reconhecer falou do outro lado do éter. Levantou-se de um salto, impulsionada por mola invisível e agarrou com toda a alma o pequeno aparelho, bebia as palavras, sorvia a distancia, negava a dor e permitia-se sentir de novo. Aquela voz, aquele timbre que jamais esquecera, ali…Ao seu ouvido, perto? Longe? Que importava, se ao menos o ouvia de novo?!
Um passo atrás na embriagues do momento, de costas para a falésia, a agilidade já não é a mesma, e o corpo resvala para o vazio….
No ar fica um grito na noite estrelada e quente; AAAAMMMMMOOOOO-TTTTTEEEEE.

domingo, maio 25, 2008

PENSAMENTO SOLTO


Elevo o pensamento para bem longe,


onde as asas dos pássaros não vão


e o som das águas não chega.


Elevo o meu coração, feito monge,


para onde o silencio é comunhão


e as lágrimas um balsamo que sossega.


Elevo a vida ao espaço aberto,


as mãos em preçe aos ceus eu ergo,


e uma oração muda neste deserto


lanço no tempo em que me perco.


Um grito de suada existencia ecoa


na montanha verde da esperança,


perdida na imensidão que magoa


crio asas de pomba mansa.


Elevo o pensamento para bem longe


para lá do que a vida alcança.



Queridos amigos/as, de momento é impossível manter uma regularidade no "lágrimas", prometo voltar em breve e visitar-vos deleitando-me com tudo o que é vosso e tão especial, e que me dá força e coragem em tantos e tantos momentos. Abraço-vos a todos com uma ternura e carinho infinitos e deixo-vos, sem excepção, um milhão de beijos com toda a amizade. Até breve.


UM SOL



“E se hoje o sol não nasce?” – Foi com este pensamento que acordou sobressalta e se sentou de rompante na cama. Um longo suspiro de alívio ecoou pela atmosfera morna e doce do quarto. Joana estava esgotada, farta de tudo e com um propósito fixo na cabeça; Partir. Deixar tudo para trás, nada mais ali fazia sentido; Apostara, ganhara e perdera, mas os prejuízos eram bem maiores que os ganhos, de nada serviam os anos gastos em lutas inglórias, via agora, de nada serviam as lágrimas choradas, as noites mal dormidas ou de insónia total….Para quê?
Deitou-se de novo no calor aconchegante dos lençóis e ficou a olhar o tecto. Porque teria acordado com aquela angústia no peito? Que disparate! Como se o sol não nascesse a cada dia!!! Que parvoíce a sua, mas onde estava a sua inteligência? Mas algo lhe corroía a alma, não era o medo do sol não nascer, apenas se traduzia nessa frase, absurda, mas que lhe martelava o cérebro como um martelo pneumático a perfurar duramente o solo. Sabia intimamente que a partida no dia seguinte era a responsável pelo medo da “falha do acordar do sol”, mas não se concedia conscientemente essa certeza nem esse medo.
Tinha preparado tudo com antecedência, calma e ponderação. Arranjara quem a substituísse no escritório, vendera o apartamento e tratara de manter os devidos contactos no novo local de trabalho, arranjara um novo apartamento que já estava à sua espera havia quase um mês, o que tivera que dar à casa antes da saída, vendera o carro e empacotara as coisas para aos poucos irem sendo transferidas para a nova casa. Algumas despachara outras levara ela própria nas viagens que fizera antes de não ter transporte. O local agradara-lhe à primeira vista, era muito semelhante ao local onde habitava havia um ror de anos. Ali, na pequena praceta sossegada e calma, onde parecia que o tempo tinha mais tempo, as roupas esvoaçavam nos estendais, as crianças divertiam-se no parque infantil e os bancos convidavam a um breve pausa, as árvores murmuravam entre si as novidades do bairro e tudo parecia harmónico e em paz. Quase podia dizer estar em casa, apenas a língua não era a sua, mas era como se fosse porque a dominava na perfeição. Sabia que era esse o seu caminho, e no entanto…e se de facto “o sol não nascesse”? – Mas que estupidez, é claro que sol sempre nascia! Porquê aquele temor infantil, aquela ideia sem pés nem cabeça, e o que quereria dizer a frase que na sua cabeça martelava incessante?
Levantou-se decidida encaminhando-se para um belo duche perfumado que a deixaria fresca, bem disposta e com genica para tudo o que ainda tinha que fazer, afinal daí a vinte quatro horas estaria a km de distancia dali e muito havia para ultimar. Pronta e arranjada, pegou na mala e saiu.
Foi ao escritório onde os votos de sucesso se sucediam em catadupas, passou definitivamente o seu serviço, despediu-se do chefe, dos colegas e das recepcionistas, do segurança e fechou a porta de um mundo que a criara e fizera dela quem era hoje. E se “o sol não nascer”?
Foi ao stand automóvel para tratar da papelada da venda do carro e deixar a nova morada caso viesse a ser necessário, viu pela ultima vez o seu “bólide” e foi com um olhar de saudade que virou costas e saiu sem mais delongas para que as lágrimas que ameaçavam tombar se não manifestassem mais que uma breve névoa nos olhos escuros. Mas…E se “o sol não nascer?”
Eram horas de almoço e prometera aos pais que iria almoçar. Estava longe de casa deles e de tarde ainda tinha bastante que fazer, mas a cumplicidade do almoço em família fazia-lhe falta, apanhou um táxi e passados uns escassos quinze minutos estava no prédio dos pais que a receberam com o sorriso e o amor que conhecera desde menina. Mas naquela hora apertava o coração, o sorriso aberto do pai e o cuidado sempre latente e exagerado da mãe, tinham agora um gosto especial que não queira perder nem abrir mão, a separação era inevitável e isso deixava um amargo nos três que calavam mas nem por isso sentiam menos. O almoço decorreu calmo e com grandes recomendações e expectativas, com algum receio muito bem camuflado mas latente, e a promessa da visita regular que nem uns nem outra queriam quebrar nem abdicar. E, se “ o sol não nascer?”
Ultimou os afazeres todos e regressou a casa, cansada e pronta para umas horas bem merecidas de sono, no outro dia a alvorada seria bem cedo, tinha um avião para apanhar, e uma vida nova para viver. De novo na cama olhando o tecto a pergunta que a atormentara o dia inteiro veio à mente, incisiva e dura; E se o sol não nascer? – Mas a sua racionalidade só lhe respondia com um grito; Pára de ser idiota! O sol nasce sempre!


Passaram cinco anos sobre a sua saída e a vida tinha de facto tomado outro rumo, lutara para ganhar o seu lugar naquele país que não lhe era estranho mas que não era de todo o seu. Tantas vezes se sentara neste mesmo sofá onde acariciava a cabeça adormecida do filho, e pensara; “Desisto, vou regressar, eu não consigo!” Um dia porém cruzou o seu caminho alguém que a fez voltar a acreditar, que lhe fez ver que tudo na vida tem uma solução, uma porta para entrar e sair, um propósito, uma finalidade. Alguém que de manso se foi insinuando na vida, infiltrando no coração e dando lugar a uma estabilidade como há muito não sentia. Agarrou de novo as suas forças, acreditou de novo em si e fez-se ao caminho que encetara carregada de esperanças e animo. Hoje tinha ao seu lado um amor sem limites, uma mão sempre pronta para segurar a sua, e um companheiro de risos e lágrimas que a ensinara de novo a viver e lhe dera um sonho calado havia muitos e muitos anos; Ser mãe.
Olhando o rosto pequenino abandonado no seu colo, e o corpo quente e cheiroso do filho de novo a frase lhe veio à mente mas desta vez com a resposta às suas perguntas de cinco longos e duros anos; E se “o sol não nascer”?
Mas o “sol” havia nascido, como sempre, o sol se havia elevado no céu e mostrado todo o seu esplendor, calor e luz! Não o sol astro porque esse sempre apareceria enquanto o mundo fosse mundo, mas o “sol” que somos ou não capazes de por na vida. E sim esse “sol” havia nascido, tinha-o entre mãos. O seu sol nascera. Finalmente tinha a resposta.


segunda-feira, maio 12, 2008

OBRIGADA PAI!


Cabelos brancos e franco sorriso,

duro de ouvido como manda a idade,

anquilosadas mãos e muito juizo,

palavras sábias despidas de vaidade.

Hoje pesam os anos, que loucos já foram,

vividos no duro, que a vida foi rude.

As marcas ficaram e ainda moram

no teu peito aberto que nada há que mude.

Deste-me o ser, a garra, a fortaleza,

deste-me tudo o que sou e esta certeza

que na vida, boa ou má, branda ou dura

só uma coisa importa e sempre perdura;

O Amor de pai que jamais fenece,

por isso, meu pai, esta te agradece.


(A um pai verdadeiramente unico. Aquele que Deus me deu aqui na terra)

quinta-feira, maio 01, 2008

ATRÁS DOS DUROS MONTES






Atrás dos montes fica um mundo



perdido na imensidão dos tempos,



calado no granito profundo





guardando histórias e lamentos.










Falam as verdes cercanias,



imponentes, majestosas,



e as quentes ventanias



que as percorrem impiedosas













No silencio das água domadas



o pio alegre e estridente,



falésias improfandas



espécies protegidas no seu ambiente.





(Fotos da minha Nizinha)

MATINAS


Dança no ar um aroma inebriante

na fresca neblina matinal,


escondido na penumbra vibrante


desta manhã doce e virginal.


Será o amor feito em leito ardente,


serão somente os corpos amantes,


será o beijo longo e fremente


ou as mãos loucas e errantes?


Será a vida que pulsa a cada amanhecer


e ao sol se dá por inteiro?


Será um coração que recusa fenecer


e à vida se agarra verdadeiro,


heroi de uma história banal?


E a dança permanece deste aroma divinal...


Será somente um beijo d'um anjo celestial?

segunda-feira, abril 21, 2008

FRAGMENTOS

Fragmentos de cristal partido


quais pedaços de vida sem rumo,


estilhaços de uma dor sem sentido


de um grito calado, sofrido e mudo.


Fragmentos de poeira na noite escura,


danças de luz e vazio na encruzilhada


da vida amarga e tão dura.


Embarquei nesta barca desgovernada

que me arrasta sem destino,

sem norte nem sul, sem sol e sem lua,

e no meu louco desatino

apenas sigo, desencantada e nua,

o coração que geme, se abate e adormece

enrodilhado e só nos fragmentos de cristal.

segunda-feira, abril 14, 2008

ESTRADA VAZIA

A estrada é longa e está deserta,


abandonada de passos e de sons.


Ainda há pouco estava repleta


de amor, risos, ternura, cores, tons....


Está vazia agora, tão dolorosamente vazia!


Para trás ficaram sonhos, memórias,


ficaram desejos e histórias.


Está tão silenciosamente vazia!


Para a frente só uma árida extensão,


solitária e deserta, um mundo de desilusão.


A estrada é longa e está deserta,


tão profundamente encoberta!

sexta-feira, março 28, 2008

VINDIMAS

Era de novo o tempo das vindimas. Na encosta xistosa e fresca, os cachos plenos e maduros aguardavam as tesouras, as mãos hábeis, e as cantilenas de mais uma jorna. A folhagem tomava já os tons doirados do Outono e as manhãs, envoltas no seu xaile de neblina, eram o prenúncio de mais um tempo de silêncio e recolhimento após a azáfama da apanha das uvas.
Beatriz havia anos (muitos anos), não pisava solo pátrio, por opção e revolta, deixara o pai e o irmão, após a morte da mãe, encarregues das encostas produtivas da quinta que a vira nascer e que amava com um amor entranhado e duro, como duras eram as rochas que davam paladar e corpo aos maduros cachos. Era alta e esguia, robusta e decidida não negando a sua ascendência celta por parte de mãe, mas de olhar meigo e doce que do pai herdara e da avó paterna, D. Tomásia Ferreira, a quem se devia o nome porque eram conhecidos os vinhos da quinta.
Saíra ainda muito jovem, orgulhosa e magoada, imputando silenciosamente a morte prematura da mãe ao pai, a quem tornara a vida muito difícil pelo mutismo obstinado e revolta constante e declarada. D. Tomásia entendia a neta e tentava por todos os meios faze-la ver os factos reais, José Alberto, seu pai, debatia-se com dois filhos menores em idades perigosas e a gerência da quinta que sempre partilhara com Aby, sua esposa. Sem grande tempo para dar atenção às crianças deixava-as muito aos cuidados e atenção da avó que fazia de tudo para substituir de alguma forma a nora. Mas enquanto Jaime era dócil e cordato, Bia era uma revoltada que fazia gala em mostrar quer em casa quer na escola, quer com os empregados. Inteligente e viva, adorava o campo e a vida da quinta, aprendera com o pai a amar aquelas pedras, as cepas, os rigores do inverno e os ardores do verão, corria como uma gazela as encostas, saltitando como uma cabrita de escalão em escalão, podando daqui, colhendo os abrolhos de acolá. Fora uma criança alegre e bem disposta, mas a adolescência tinha tido o travo amargo da perca, e, se bem que os pais se amassem, Bia sentia a infelicidade da mãe por estar por longos períodos afastada das suas brumas e castelos, dos seus bem amados campos da Escócia natal. Aby era feliz no Douro, amava a terra, o trabalho nas vinhas, no qual se empenhava ao lado de José Alberto, amava o rio a seus pés e os filhos que por amor e desejo tinha posto no mundo. Mas era na Escócia que se tornava ela, quase etérea mas de uma vivacidade imensa. Ensinara as crianças a amar também aquele pedaço de chão que era o seu e em Bia tinha a resposta aos seu mais recônditos anseios, tal como ela a pequenita crescia e tornava-se outra quando nas férias ia passar três meses com os avós maternos.
Quando Aby partira Bia tinha quinze anos e Jaime doze. Durante cinco longos e duros anos em que a revolta e a dor cresceram sem que houvesse tempo ou espaço para falar com o pai, ela foi traçando o seu rumo e no dia que completou os vinte anos, foi ao escritório e deixou sobre a secretária uma frase curta, friamente; - “Parto amanhã para a Escócia, esqueça-se que tem uma filha!”. E assim partiu, na madrugada seguinte sem que alguém da casa tivesse dado pela sua saída. Muitas foram as diligências do pai e da avó juntos dos avós maternos para que a demovessem das suas teimosias, José Alberto fora vezes sem conta à Escócia falar com ela, mas nada a vergou. Nem a morte de D. Tomásia a trouxe ao país natal, chorou de longe a morte da avó querida, remoeu mais uma morte em silêncio, mas não veio. Estudara, formara-se, estivera noiva e acabara o noivado, gerira os bens da mãe e dos avós e dera um rumo a si mesma em terras de Sua Majestade, mas o Douro que a vira nascer, ardia-lhe no peito.
Olhava agora os socalcos bem amanhados como sempre, as douradas folhas e a neblina odorosa que lhe trazia à memória os seus passos e brincadeiras de menina. As carrinhas com o pessoal passaram por ela sem parar direitas ao fundo dos terrenos, mais atrás o carro negro com um vulto mais velho ao volante, reconheceria aquele perfil de olhos fechados, José Alberto, tisnado e mais forte, um pouco mais curvado e com rugas no rosto, passou por ela também, ao lado a figura alta e delgada do irmão, voltou-se de costas, não queria que a vissem já.
Caminhou ao longo do trajecto que a levava de novo a casa, calma, devagar silenciosamente, bebendo o ar matinal e o encanto que só naquelas terras sentia. Avistou o velho palacete cor-de-rosa e apercebeu-se que embora com obras recentes, também ele acusava o passar dos anos. Entrou no portão e, como sempre fizera, foi sentar-se no alpendre nos degraus gastos e puídos pelo uso e pelos anos. Um riso infantil veio acorda-la do seu sonho, do êxtase em que se mantinha olhando a paisagem que nunca esquecera, à sua frente um pequenito dos seus sete anitos, estacou e perguntou sem cerimónia; _ “O que faz a senhora aqui? Isto é propriedade privada, sabe?!” –
Sorrindo Bia, disse; - “Sei sim. E diz-me lá, quem és tu?” – A resposta foi pronta e ela quase se reviu no garoto: - “Eu sou o João Maria, e a senhora quem é e o que faz nos degraus do meu avô?” –
- “Eu…Eu sou a tua tia Beatriz, sou a filha do teu avô, e irmã do teu pai” – Respondeu suavemente à criança. Para seu espanto uma voz atrás de si disse-lhe; - “Sejas bem vinda Bia! Há quanto tempo…”
Levantou-se como se um cento de abelhas a tivessem picado, e virando-se de repente ficou frente a frente com um homem alto e entroncado, no vigor dos seu quarenta anos bem conservados e elegantes que a olhava com uma expressão de ternura e zanga, emprestando aos olhos esverdeados um ar travesso e doce. Emudecida, engasgada e ruborescida, Beatriz aguentou o embate daquele olhar e respondendo ao apelo mudo da mão estendida para ela, subiu os degraus pela mão de Raul, capataz da fazenda e filho da velha governanta, com ele penetrou na penumbra da casa e à lembrança regressaram as horas passadas no lar, o cheiro do pão acabado de cozer, o leite morno, as natas batidas pelas mãos da velha Aurora, o odor adocicado das flores campestres que pelas jarras e jarrões ainda se espalhavam pelas salas. Como num sonho atravessou os corredores, os salões, e a saleta privada onde sobre a mesa permaneciam imutáveis o sorriso da mãe preso na sua moldura e a sua primeira vindima bem como a de Jaime. Duas lágrimas correram pelos olhos negros aveludando-lhes a expressão, e a mão de Raul apertou a sua com ternura como que a fazer-lhe sentir que, tal como outrora, ele ainda ali estava à sua espera, atento e pronto.
Sem saber como encontrava-se agora frente a uma senhora que o tempo vergara, embranquecera mas não alterara as feições nem a beleza, apenas os olhos azuis como o céu olhavam agora o infinito. Aurora, prendia-lhe as mãos e percorria-lhe o rosto, dizendo entre lágrimas e sorrisos; - “A minha menina voltou! A minha menina voltou!”. E como antes, Beatriz escondeu no regaço gasto pelos anos o rosto onde afogou as lágrimas, as dores e a revolta de mais de vinte anos chorando como criança abandonada.
Duas mãos calejadas prenderam-na pelos ombros sacudidos pelos soluços e a voz quente e ainda forte do pai murmuraram-lhe ao ouvido; - “Sejas bem vinda Beatriz à casa, ao amor, à família e à tua terra. As uvas, o xisto, o vento e o rio aguardam as tuas mãos para mais uma vindima. Vens?”

quarta-feira, março 26, 2008

NUVENS BAIXAS

Por entre as carregadas nuvens do desalento

um raio de sol feito sorriso abriu as portas

da vida.

Dividida,

como sempre dividida neste passo certo e lento

que é o meu longo caminhar em vielas tortas,

caminhos escuros

entre barreiras e muros,

entre lágrimas, raiva, amor e paixão.

Entre sonhos, desejos, mordendo o sentimento,

calando toda a desilusão,

fechando aos poucos o coração.

Por entre as nuvens negras da minha perdição

em que me entreguei, sem outro pensamento

que não fosse o amor,

esse que quero com ardor,

e do qual só sobram migalhas.

Ah negras nuvens de tenmpestade!

Engulam-me de uma vez na Eternidade!


quinta-feira, março 20, 2008

SANTA E FELIZ PÁSCOA


A todos os que comigo caminham ,

os que aqui vêem e partilham,

ou os que silenciosamente entram

saindo sem palavras.

Aos que falam e comentam,

a ti que animas e a ti que entravas;

A vós todos vos prendo num abraço

simples, singelo, amigo, verdadeiro,

e num gesto meigo e terno, traço

os meus votos de;


SANTA E FELIZ PÁSCOA

sábado, março 01, 2008

UMA LÁGRIMA


Dou-te uma lágrima de amor

guarda-a junto ao coração.

Dou-te uma vida e o ardor

de quem ama sem restrição.

Dou-te o meu sonho mais lindo,

o segredo mais bem guardado,

dou-te o cálice com que brindo

à dor do meu amor magoado.

Dou-te a vida a pulsar

ardente nas minhas mãos,

e o meu breve soluçar

no vazio dos espaços vãos.

Dou-te o mar embravecido

negro de tanto sofrer,

dou-te um amor rendido

ao bucólico entardecer.

Dou-te amor, só uma lágrima,

a mais pura, a mais brilhante,

a mais doce....Só uma lágrima.

Triste memória errante.



terça-feira, fevereiro 19, 2008

UMA MANHÃ

Abracei o ar fresco e o céu cinzento da manhã, encolhi-me nas profundezas do casaco quente, e deixei que a aragem me beijasse o rosto, permiti que os ouvidos ouvissem o canto das aves nas ramadas destas árvores despidas mas que são o seu lar e dei comigo a distinguir os cantos e a sorrir ante as árias que se digladiam de garganta em garganta em trinados mil.
A calma e o sossego da hora matutina invadem-me e dão uma sensação de paz de tranquilidade como se no mundo apenas eu pisasse o solo encharcado das chuvas.

O odor a terra húmida e a musgo bem molhado penetrou nas narinas deliciadas pelo aroma a mato e vida.
Fechei os olhos e encostei-me a um velho muro onde a folhagem avermelhada e amarela ainda subsistem, teimosamente.
Quase podia tocar o intocável, alcançar o intangível, ver o invisível....É em momentos como este que Deus nos toca.

E assim comecei um novo dia.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

JOGUETE DA VIDA

Como peça de xadrez,
rei, cavalo ou peão,
sou apenas vez após vez,
o aconchego desta mão
que se te estende mansa.
Sou a vaga e simples lembrança
de um porto de abrigo na noite,
sou o que falta para a unidade
sem a coragem que afoite
a dar o passo da eternidade.
Como peça de um puzzle imenso,
onde não me encaixo ou pertenço,
ando aos tombos pelos espaços
(não há nenhum que me acolha).
Entre os rabiscos e traços
a minha peça não tem escolha
estará sempre descartada,
do baralho separada.
Como peça de xadrez,
neste puzzle sem sentido,
trilho duro de aridez
em mil passos percorrido.

domingo, fevereiro 10, 2008

UM DESAFIO

Respondo ao desafio que me foi lançado pelo nosso "Cabo das Tormentas" que tanto gosto de ler e visitar. O que é pedido no "desafio" é que enumeremos 6 aspectos (particulares, peculiares ou caracteristicos) dos nomeados. Bem...Então cá vou eu:

1º Adoro escrever, ler e passear.

2º Sou uma curiosa por natureza, daí que as viagens, os estudos e o desconhecido sejam um atractivo para mim.

3º Sou também o que se pode chamar uma amante da "solidão", o silencio, a calma, a paz, são essenciais para que me equilibre e me sinta "feliz".

4º Adoro cozinhar e é uma forma de acalmar o stress. Dedicando-me às artes culinárias passo do estado de "ebulição" ao estado de "arrumar no frigorifico".

5º Dança é outra das minhas formas de me libertar, a musica faz-me vogar em mundos meus e pela expressão corporal liberto-me quase na totalidade.

6º Adoro crianças, e só não sou mãe....Porque assim não teve que ser. E mais não digo.

Agora passo o desfio aos seguintes blogs;

whispersinnight.blogspot.com - Rachel

coisasdogui.blogspot.com - Gui

julls17.blogspot.com - Juli

analuar.blogspot.com - Ana Luar

momentusmomentus.blogspot.com - Ni

suavetoque.blogspot.com -Elcia Belluci

NA TUA AUSÊNCIA


Descubro na tua ausência

todos os caminhos da dor,

"via crucis" na consciencia

de amar só por amor.

Percorro cada deserto

como folha esmaecida

neste futuro incerto

que me acolhe a cada partida.

Descubro a face oculta

desta vida em mim marcada,

e o desejo dificulta

novo passo, nova arrancada.

Percorro a dor de te querer

a meu lado, simplesmente,

para apenas poder ter

momentos, pedaços somente,

vislumbres de eternidade.

Trilho o sonho esfarrapado

de uma louca quimera,

neste deserto queimado

de manter-me à tua espera.

sábado, fevereiro 02, 2008

TÃO LONGE....

Lá longe, muito longe....

Tão longe que não lhe posso tocar

está uma luz a brilhar.

Porque brilha ainda o luzeiro

na noite escura de medos?
Iluminando o pálido cruzeiro

de todos os meus degredos.

Lá longe, muito longe....

Tão longe que dói a distancia

essa eterna fragancia

que é dos sonhos e fantasias,

da vida, da morte, da noite, do dia,

de todas as heresias

desta ousada e eterna rebeldia.

Lá longe, muito longe....

Onde a lua se esconde na noite

esquecendo-se de brilhar,

onde busco ainda o teu olhar...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

ENCONTROS E DESENCONTROS

Encontros no desencontro da vida,

a cada esquina dos beijos que não demos.

Palmilho as encruzilhadas, perdida,

buscando os nossos momentos ternos.

De mãos vazias e olhar sem cor

sigo o destino a par e passo,

percorro a escala do nosso amor

em notas tristes sem o teu abraço.

Que caminhos segues amor ausente?

que caminhos percorres sem me ter presente?

Sonhas as noites, os beijos, o amor?

Sonhas o termo-nos, sonhas os corpos?

Ensina-me a sobreviver sem o teu calor,

sem a pressão mansa dos nossos corpos

na imensidão da noite escura,

nos lençois feitos de entrega, de paixão,

de sonhos e tanta loucura.

Amor, toma de novo a minha mão,

encontra-me nos desencontros da vida!

Preciso de ti! Cala esta dura ferida

que é ter-te sem te ter,

amar-te, querer-te e apenas permancer

na encruzilhada da vida aguardando o amanhecer.

terça-feira, janeiro 22, 2008

PERMANECE EM MIM

Permanece em mim
como o perfume suave da rosas,
sê o principio e o fim
de cada poema meu, das minhas prosas.
Permanece como o ouro eterno,
deixa o teu rasto no meu corpo,
marca-o com o teu selo terno
que em cada beijo transparece
em cada caricia se eleva.

Fica em mim...Permanece,
crava os teu sonhos e ensejos
na minha pele sob a tua mão
ardente de mil desejos.
Acorda em nós a imensa paixão
de sermos um só no caminho.
Permanece em mim !
Ainda que este amor seja um espinho
de dorida ausencia sem fim....
Permanece amor, permanece em mim.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

MOLDES DE VIDA

Como barro humido informe,

massa pronta a trabalhar,

monte vermelho e disforme

em mil formas por moldar.

Como barro em mãos de oleiro,

dando vida, emprestando alma,

como farinha em saca de moleiro,

fazendo o pão na branca calma

das mós pachorrentas e gastas,

nas horas solitárias e vastas

onde o uivo do vento norte

assobia nas cantarinhas,

e o sopro estranho da sorte

muda o rumo nas entrelinhas.

Como barro de vaso novo

contendo somente a vida,

faço minha a voz do povo

entre estrofes dividida.


Barro em sábias mãos

moldando argila em magia,

sonhos e medos como irmãos

lado a lado em mais um dia.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

CAMINHANDO


Saio pelas ruas desta vida, sem destino,

em todas as lágrimas tropeço,

e com os sorrisos me encanto,

da tristeza compus o meu hino.

De mim mesma me despeço

em cada nota de pranto.

Saio pelas ruas da ilusão,

louca, solta, sem ter rumo,

de cada dia bebo o amargor

da espessa desilusão,

esvaio-me em branco fumo

no ar frio da imensa dor.

Saio pelas ruas, olho em volta;

A minha sombra é o vazio

e as nuvens são o meu manto,

já se perdeu de mim a escolta

que me guiava com brio

rindo de todo o meu espanto.

Saio. sozinha, pelas ruas...