sexta-feira, setembro 29, 2017

MADRUGADAS DE VENTO NOVO


Vi nascer o sol por entre as nuvens,
levantei-me com as madrugadas de vento
e sacudi a poeira de tempo.
Escancarei as janelas do lamento
deixei voar as tempestades.
Ouvi a aurora que se levanta
e vi o despertar de novos sentidos,
espreitei um ninho onde a vida canta,
tomei nas mãos o renascer.
Traguei o dia num cálice de barro,
comi o pão que mãos saudosas cozeram.
Atei os sonhos na asa de um cagarro;
larguei-o ao vento - voa! Voa bem alto.
Fechei os olhos e senti o mar,
toquei as algas, beijei os nautilus,
trotei em cavalos marinhos de encantar.
Abri as asas, de gaivota anquilosada; e voei!
Voei com um hino na voz e vida no olhar.
O mundo é um lugar estranho onde habito
e desabito. Onde me perco e volta a encontrar,
onde a maresia traz poemas para além do mar.
E o nascer deste sol encasulou a força de querer,
vestiu de arco-íris a dança das palavras: deu-lhes cor,
pintou uma tela de sonhos a crescer.
Hoje o sol nasceu verde; nasceu rosado e azul,
nasceu de um paleta de pintor louco, poeta maior,
e elevou-se- enorme - rubro, do tamanho da eternidade,
ajoelhada e rezada, em silencio, no altar-mor
da orada da vida.
Vi nascer o sol por entre as nuvens,
e o dia, simplesmente: aconteceu.






lágrimas de lua

quarta-feira, setembro 20, 2017

UMA ESCADA...POR SUBIR?


A vida é uma escada por subir,
uma porta por transpor
uma janela por desemperrar e abrir.
Degrau a degrau, pé ante pé;
subir, subir sem medo. Apenas ir,
com a certeza de que a vida, essa
é, somente, uma escada por enfrentar,
íngreme, abrupta, uma guerra para travar.
A vida é só uma escada por subir,
e quantas vezes por descer,
e quantas vezes um desejo de sumir,
de partir sem deixar rasto.


Tão somente esfumar, suave diluir.
Subindo e descendo, em trôpegos passos,
escada de pedra, gasta, lisa, dura.
Escada de sonhos, no silêncio da loucura.
A vida é uma escada de gritos e sussurros,
de noites que se abrem em alvoradas,
de monstros, de fadas, de beijos e urros,
de dor; mas também de magia - de cor.
A vida é uma escada de corações casmurros,
e de verdades agudas rasgando as carnes.
A vida é uma escada de verde moldura,
a vida é um trilho entre as pedras e a lonjura.
A vida é uma escada por subir,
uma porta por transpor,
uma janela por desemperrar e abrir.
A vida é uma sombra de poema por compor.


lágrimas de lua




FORMAS NO IMPONDERÁVEL

Imagem retirada da net Há formas na inconstância do informe, do disforme, do que amarro, com nós górdios, em silêncios gritant...