segunda-feira, outubro 31, 2011

NEGRA NOITE FUGIDIA




A noite sobrepôs-se ao dia.


No breu estrelado e longínquo


uma estrela cintila lá no alto.


A envergonhada lua fugidia


brinca com o riacho ubíquo,


docemente escorrendo pelo basalto.




A voz murmurante do negrume


veste a alma errante de poesia,


faz com que o vazio se esfume


e enche a noite de magia.


Aconchega nas mãos negras e cálidas


os corações em agonia,


cobre com o seu manto de rosas pálidas


esta nocturna sinfonia.




A noite desceu mansa, silenciosa,


prenhe de segredos e desejos,


de sonhos e desenganos.


As mãos postas em prece ansiosa


soluçada de perdidos ensejos,


ecoa na noite como vagabundos insanos.




Oh! Negra noite fugidia...

sexta-feira, outubro 21, 2011

ATÉ SEMPRE



Quando a luta é desleal e as forças cedem
quando as treguas são sinal de ser vencido,
abre-se um fosso onde os sonhos se perdem
a esperança se afoga, e tudo termina rendido.



A vida é um sopro de aragem breve,

é uma gota de orvalho tremeluzente,

é um suspiro de anjo num adejar leve

é um luar branco e transparente.

Abrir as mãos e deixar partir quem parte

é duro. As lágrimas de desilusão e dor

são companheiras de quem fica à parte

tratando as feridas do futuro sem cor.


O outro o lado do espelho é o outro lado da vida ,


de lá fica o sorriso de despedida,


de cá as lágrimas da saudade


à espera que o tempo traga a suavidade.

Até sempre

domingo, outubro 16, 2011

AUSENTES...

Como um grito na noite escura
a ausência dói,

como o sonho que vem morrer

na maré do tempo passado.

Perdido.





A verdade é como a adaga dura,

como a mó que mói

o sentimento que teima em sobreviver

e se lança contra o rochedo calado.

Emudecido.

Pássaro negro de olhos em fogo,

quantos sonhos rasgaste a rogo

de um destino embravecido?

De um mar louco, enraivecido?

Quantas lágrimas de sal por enxugar,

quantos mais sonhos ainda irás matar?

Como um grito na imensidão da vida,

vazia de esp'rança, plena de certezas,

vulcão de dor, lava de desalento.

Caída na areia húmida, enegrecida,

banhada pela fria lua das profundezas

da ausência e do esquecimento...


Como um grito na noite acesa






segunda-feira, outubro 10, 2011

ROSA DESFOLHADA




Passo a passo, luta a luta,

riso e lágrima, dor e alegria,

das pequenas coisas se faz a vida.

Entre a mansidão e a força bruta,

o caminho faz-se assim de parceria,

de trocas e sonhos, de esperança dividida.



Passo a passo em cansados tropeções,

em doces e vãs ilusões, egoísmo e cobardia.

A vida é barro moldável em constantes convulsões,

mãos a trabalham, dão-lhe forma no dia-a-dia.




Um ano, mais um ano, mais uma pétala caída,

mais uma flor desfolhada e uma lágrima sentida

caindo em mansa aceitação.

Uma rosa rubra de luta rasgada e perdida,

e mais uma onda para levar de vencida

em constante provação.