sexta-feira, abril 27, 2012

LIMBO

Como pétala arrancada da corola,
como folha enrugada levada pela ventania,
como salpico de espuma ancorado no nada.
Como ave sombria em doirada gaiola,
como barco perdido em lenta agonia,
como grito mudo em boca calada.


Como gota de orvalho sem brilho, na madrugada,
levada pelo vento; Vazia,  somente empurrada.

quinta-feira, abril 19, 2012

NOITE DE SOMBRAS

Elevam-se no ar como névoa, os sonhos sem concretização,

parecem apenas poalha, finas gotas em dispersão.

Escorrem pelas mão engelhadas, os anos em catadupa,

dissolvem-se no tempo sem esperança e sem culpa.

Perdem-se os passos na areia que a vida já esqueceu

e o rasto dilui-se nas breves ondas que o mar cedeu.



Olhos perdidos no futuro enlaçados no passado vivido,

ancorados no presente sem cor, fustigados pelo tempo perdido,

criticados, mal amados, incompreendidos, desgastados

e tão tristemente mal entendidos.

Elevam-se na noite como luzeiros, os mudos gritos de dor,

as lágrimas quentes de solidão, os punhos cerrados sem amor.

Eleva-se no escuro manto o alvo e étero corpo, grácil,

delicado, solitário e branco, tão branco! tão frágil!

E num suspiro cansado entrega-se à noite sem fim.



sexta-feira, abril 13, 2012

ABANDONO

Na tempestade abandono o corpo e a alma,
deixo que me sufoque

que simplesmente me afogue,

e que tudo em mim soçobre com calma.


Na distancia abandono os meus sonhos,

as lutas sem sentido e os desejos sem cor.

Abandono os laivos de um efémero amor,

navio fantasma entre nevoeiros medonhos.


No silencio abandono o coração cansado,

as mãos desgastadas, a alma desbotada,

o riso esquecido e a lágrima disfarçada.



No rio da vida abandono o meu ser desencantado





segunda-feira, abril 09, 2012

ENTRE O NEGRO E O VAZIO

Existe um ponto no Universo onde a noite cruza o dia,
onde um único raio de sol invade o negro esquecido e mudo.

Existe um ponto cardeal sem nome, onde morre a poesia,

onde o passado cruza o futuro num abismo cego e surdo.

Existe um presente sem luz, entre sombras desfocado,

entre pensamentos perdido, entre vislumbres aninhado.

Existe um ponto intangível que pelos dedos se escoa,

como água de um mar sem tempo, sem principio, sem idade.

Existe um olhar sem ver, um grito mudo que ecoa

na imensidão de um vazio onde já não vibra a claridade.


Existe a dor que não se diz, o medo que tolhe os passos,

a angustia da incerteza, o perder de todos os laços.
Existe um ponto na Vida onde a noite ensombra o dia,

onde o sol sem força se ergue e ainda tenta romper o negrume,

onde o riso compete com a lágrima, e se abre na manhã fria.

Onde tudo se acaba sem revolta e sem murmúrio ou queixume.

Existe um ponto....Existe um ponto sem retorno ou alegria.