sábado, setembro 20, 2008

PARTI...

De pés nus e alma errante


abandonei-me ao destino,


perdi-me nas ondas do levante


transformei-me em orvalho fino.


Caí do céu, molhei a terra,


lavei as mágoas, enchi ribeiros,


afundei-me nas entranhas da serra,


escorri distante pelos carreiros.


Fui lama, fui cinza, fui sal,

fui vento agreste ao por do dia,

fui todo o bem e todo o mal,

fui o carrasco e quem sofria.

Parti num dia de nevoeiro

sem deixar rasto ou sombra,

apenas um leve cheiro

de musgo, Outono e poesia.

domingo, setembro 14, 2008

ALMA ERRANTE

Nasce o sol, cresce a lua,

passam as horas e viram os dias.

A minha alma errante e nua

vagueia descalça, sozinha e sombria.

Trilha cada pedaço de céu

em passos doridos na terra,

clama por um aconchego só seu

para encontrar apenas a guerra,

esta guerra surda e fria

sem tino e desgovernada,

em que se lança à porfia

sem sentido, nem esp'rança nem nada!

Quantos sois e quantas luas

mais terá que ver nascer?

Quantas lutas duras e cruas

mais terá que combater?!

domingo, setembro 07, 2008

PARAR O TEMPO


Se ao correr da mão o tempo parasse, e ao piscar de olhos o nada fosse tudo, se o nascer de cada aurora deparasse com um mundo novo, belo, limpo e mudo! Completamente mudo, em que o som do silêncio se elevasse calmamente, nos preenchesse, nos aninhasse, nos desse a mão e encaminhasse para a vida docemente. Ah como serio belo o mundo! Como seria perfeita a vida!
Ouvir o silêncio, beber a vida, perceber o simples pulsar da semente a crescer.
Senti-la pequena, dividida, subdividida, repartida, tripartida e por fim…Florescer! Se ao correr da mão o tempo se aquietasse, se ao correr das horas congelasse o momento preciso em que te toco… Se o tempo me desse tempo, se a vida me desse a VIDA, essa que eu não troco por nada que a vida tenha. Ah se o tempo se imobilizasse, e eu pudesse apenas ter-te!

quarta-feira, setembro 03, 2008

VENCER/PERDER

Quando se vence ?

Quando se perde?

Quem vence e quem perde?

Há um vencido para haver um vencedor,

há um vencedor para haver um vencido.


Hoje ganho...Amanhã perco,

hoje choro...Amanhã rio.

Para eu rir alguém chora,

para eu chorar alguém ri.

Há um vencido para haver um vencedor,

há um vencedor para haver um vencido.


Quando se vence na realidade?

Quando se perde de verdade?

Quem perde e quem vence?

Há um vencedor para haver um vencido,

há um vencido para haver um vencedor.


Nesta vida quem vence? Quem perde?