terça-feira, abril 14, 2020

SILÊNCIO ENSURDECEDOR







Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados,
decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos.
Moldam-se as vidas como barro em mãos de oleiro,
formam-se montes e vales em corações enamorados.
Crescem muros de feroz desilusão pontuados de enganos,
bordados por pérfida mão, ou mago traiçoeiro.
Por entre as sobras de um amor incumprido e as lágrimas
derramadas, como chuvas de uma eterna Primavera.
Por entre os cacos de um espelho usurpador,
deambulam as palavras que jamais se dirão, e as rimas
que não se completarão. E na solidão que impera
pairam sentimentos amordaçados num silêncio ensurdecedor.
Por entre as palavras mordidas e os silêncios forçados,
escorrem pedaços de vida, teias de memórias. Momentos passados.



Lágrimas de lua

segunda-feira, março 02, 2020

AS BRUMAS DOS TEMPOS







Guardo nos olhos as brumas dos tempos;
de sonhos vividos e de desejos sonhados.
Trilho os meus devaneios, sempre calados,
em estrada de sinuosas formas, alienadas.
Escrevo no vento histórias desalojadas
dos recantos da memória, empoeirada.  
Abro as mãos deixando livre a madrugada,
guardo nos olhos as brumas dos tempos;
e nos alvores de estiolada esperança
pinto um arco-íris de risos e temperança.
Rasgo janelas em baças paredes ancestrais,
abro alas aos enfeitiçantes e alegres jograis.
Quebro os diques de todas as arcanas memórias,
deixo fluir o passado entre pétalas e escórias,
mas guardo nos olhos todas as brumas dos tempos…

Lágrimas de lua

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

A TRIBO






É esta a minha tribo, a minha essência profunda.
É esta a minha tribo, a força que me alimenta.
É esta a minha casa, que a leveza toca e inunda.
É esta a minha casa, onde o mistério se senta.

É esta a minha raiz, o meu tecto e o meu chão,
a mesa que me sacia, o leito que me descansa.
É esta a minha raiz feita de amor e perdão,
de dar sem esperar, cultivar paz como herança.

É esta a minha tribo, que me moldou a cinzel,
e pelo fogo e água me temperaram,
deram forma, garra, voz, deram ímpeto de corcel.
É esta a minha tribo, os laços que me apertaram,

o caminho que me ensinaram, as asas que me doaram…
É esta a minha tribo, é esta a minha casa; é esta a minha raiz!


Lágrimas de lua

sexta-feira, janeiro 03, 2020

SOMBRAS NA ESTRADA



Quebra a sombra que na estrada se projecta; oblonga e fria,
quebra as amarras que ancoram o barco ao cais, lodoso e triste.
Quebra as neblinas que se arrastam ao nascer de mais um dia,
e pinta novos alvores de sonhos, mesmo se já nada existe.
O tempo presenteia-te a cada suspiro de vento norte,
a vida oferece-te uma nova oportunidade a cada novo luar,
abre os olhos, abre as mãos; o caminho não é só sorte,
é empenho, é alma, é doação e entrega, conjugando o verbo amar.
Quebra a corrente de um passado sem futuro; vive o presente.
O caminho tem pedras, mas há sempre um sol nascente.

Quebra as sombras que na estrada te ensombram…


Lágrimas de lua

segunda-feira, dezembro 23, 2019

FELIZ NATAL - 2020 EM PLENITUDE

Imagem retirada da net


Brilham duas estrelas no alto desta noite escura,
deste caminho mais pobre, desta estrada vazia.
Brilham como sempre brilharam. Agora, na lonjura
que medeia o aqui e o vosso aí, há apenas luz fria,
distancia imensa, um oco trilho vestido de sombra.
Olho o céu, neste desejo mudo que me ensombra,
e vejo duas estrelas que sorriem do alto; serenas,
simples... tão minhas. Meus luzeiros-guias!
São o meu "presépio", o meu "Deus-menino", minhas açucenas
enfeitando o breu destas mãos vazias.
Brilham lá no céu as minhas estrelinhas 
e no coração as saudades minhas.


Lágrimas de lua

VOTOS DE FELIZ E DOCE NATAL

quarta-feira, novembro 27, 2019

SERENO E NOITE ESCURA


Vesti-me de sereno, do negro manto da noite escura,
apaguei todas as estrelas, aconcheguei a doce lua
em cama de alvas nuvens velada por estranha alvura,
soprei desejos de amor na aragem da noite nua.
Soltei os cabelos ao vento da madrugada.
Fui gaivota, fui rapace, fui corça e fui algoz,
percorrendo uma longa e dura estrada.
Semeei-me nos caminhos, brotei de um solo feroz,
e cerrei os dentes à dor, mordi raiva e solidão,
percorri léguas e léguas em busca do meu tempo.
Dei-me à carne, dei-me à vida, jurei a vida ao perdão,
e neste percurso trôpego, ritmado a contra-tempo,
deslizaram auroras e ocasos. Marés sem marinheiros,
barcos que perderam o rumo. Primaveras e estios,
vogaram ventos e vagas, fazendo seus prisioneiros
todos os sonhos, arrepiando os medos sombrios.
Vesti-me de sereno e noite escura,
coroei-me de raios de alvura.



Lágrimas de lua





sábado, novembro 02, 2019

SENTIR ETERNO...INTENSO MOMENTO


Se olhares no horizonte e sonhares além do mar,
se abrires as asas ao vento e aprenderes a voar,
então solta as tuas amarras; liberta a ancora pesada,
pega no leme e nos remos da tua barca encantada
e faz-te ao vento!
Se olhares o voo das gaivotas cruzando as tempestades,
se gritares todas as dores, molhadas de duras saudades,
então serás guerreiro feroz, empunhando fina adaga,
penetrando o âmago do sonho, como onda que propaga
um encanecido lamento.
Se olhares a vida nos olhos, palmilhando-lhe os caminhos,
tortuosos ou singelos, agrestes escarpas ou suaves cantinhos,
então bolinarás nas memórias de tempos idos, algodoados,
de um sentir desmedido; amor eterno, silêncios inteiriçados …
Suspensos em sóbrio momento.





Lágrimas de lua

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...