quarta-feira, setembro 20, 2017

UMA ESCADA...POR SUBIR?


A vida é uma escada por subir,
uma porta por transpor
uma janela por desemperrar e abrir.
Degrau a degrau, pé ante pé;
subir, subir sem medo. Apenas ir,
com a certeza de que a vida, essa
é, somente, uma escada por enfrentar,
íngreme, abrupta, uma guerra para travar.
A vida é só uma escada por subir,
e quantas vezes por descer,
e quantas vezes um desejo de sumir,
de partir sem deixar rasto.


Tão somente esfumar, suave diluir.
Subindo e descendo, em trôpegos passos,
escada de pedra, gasta, lisa, dura.
Escada de sonhos, no silêncio da loucura.
A vida é uma escada de gritos e sussurros,
de noites que se abrem em alvoradas,
de monstros, de fadas, de beijos e urros,
de dor; mas também de magia - de cor.
A vida é uma escada de corações casmurros,
e de verdades agudas rasgando as carnes.
A vida é uma escada de verde moldura,
a vida é um trilho entre as pedras e a lonjura.
A vida é uma escada por subir,
uma porta por transpor,
uma janela por desemperrar e abrir.
A vida é uma sombra de poema por compor.


lágrimas de lua




quarta-feira, agosto 30, 2017

PRINCESA DOS "LÍRIOS DO CAMPO"




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imagem retirada da net


Porque choram os teus olhos, princesa?
Porque não entranças os teus sonhos de menina?
Calças sapatos de refulgente leveza
e envergas a capa de uma invernosa tristeza.
Os anos lavaram as mágoas nas águas dos teus olhos,
branquearam os sonhos em campo de “alecrim aos molhos”.
Do teu castelo altaneiro olhas os “lírios do campo”,
vês o tempo correr incessante, marcado em torto relógio.
“Meu Deus, é tarde, é tarde!” – ainda mal desponta o dia,
perdes graça, perdes vida, perdes o sonho à porfia.
Olhas cada nova madrugada, choras cada novo ocaso,
enrodilhado o coração, pergaminhada a tua alma,
entranças esperanças mortas com esvaziada calma.
Vês nuvens de cobre e de chumbo, mares fundos, praias cegas.
Vês os barcos partirem sem rumo; gaivotas de asas quebradas,
sonhas com um alvo unicórnio, histórias; lendas encantadas.
Desfias o rosário dos anos como contas de fino âmbar,
bordas a doce matiz o pano do teu embotado viver,
e juntas as horas e os dias cozendo-os ao teu sofrer.
Passam os tempos, passando, pelo teu rosto de flor,
definham os tempos, definhando, no teu corpo por colher.
Nesta vida que não vives, ficam palavras encolhidas - a morrer.
Borda, linda bordadeira, princesa de um reino sem reinado,
tece um fio de ouro e prata, tece um sonho que é só teu.
Ah, princesa desterrada, não te afundes em breu!
Por quem choram os teus olhos, princesa?
Sai!  Veste-te de realeza.



lágrimas de lua

POR ENTRE O SILENCIO E AS PEDRAS






Procurei entre o silêncio das pedras,
o verde da esperança flutuante
e o dourado de um sol cantante.
Procurei o que não se encontra;
apenas se vive e se sente,
apenas se escreve e pressente.
Procurei entre o silencio das pedras
a essência para a vida.
Um ponto de chegada ou de partida.
Um porto de abrigo, uma ponte de bambu,
ou apenas um refugio; um suspiro de anjo,
um olhar de fogo, um piano onde esbanjo
as notas de um duro caminhar.

Procurei no silencio das pedras
o âmago da minha alma, fímbria de coração,
os passos para voltar, a letra de uma canção
há muito amordaçada. É no silencio das mágoas
que nascem novas auroras das cicatrizes que ficaram,
de lutas há muito travadas. Os sonhos que claudicaram
são hoje o musgo das pedras no silencio deste mundo,
são abrigos, são luz, são eternidade em pó,
são os caminhos que percorro em paz e só.
Procurei entre o silencio das pedras,
uma razão, um destino ou apenas o caminho sonhado,
encontrei-me comigo mesma a dedilhar o passado.


É no silencio das pedras que se ouve o grito da vida. 

Lágrimas de lua

sexta-feira, agosto 04, 2017

TATUAGEM




Trago tatuado no corpo,
o mapa do nosso passado.
São um sulco esvaziado
todos os rios, agora secos,
de uma vida na penumbra.
As montanhas que subimos
e cada vale que descobrimos,
cada meandro, cada sombra,
cada prado, cada planície,
que afloravas á superfície
de uma pele que te recebia.
O mapa, qual cicatriz do tempo,
cobre-me o corpo a contratempo.
Os rios que navegavas
já perderam o azul das águas,
e nas margens só as mágoas
se espalham na memória.
Olho hoje as íngremes montanhas,
(como me parecem estranhas!)
já não vejo os alegres cumes,
apenas escarpas agrestes,
rasgadas de todas as vestes.
O mapa, desvanecido de esperas,
perde as cores, perde a harmonia,
tatuagem negra,tatuagem de nostalgia.
São apenas linhas vãs,
que um dia foram caminho,
foram vida e valioso pergaminho.
Hoje é mapa a carvão traçado,
apenas uma tatuagem a lembrar

que um sonho pode acabar.

lágrimas de lua

imagem retirada da net







terça-feira, agosto 01, 2017

ENTRE O CAOS E A ORDEM




Entre o caos e a ordem,
no meio caminho entre o sol e a lua,
nem sempre vestida nem nunca nua,
entre o nascimento e o ocaso.
Entre o caos e a ordem,
num oceano de lírios e violetas;
selvagens. Silvestres.
Discretas e agrestes.
Entre o caos e a ordem,
coração pleno e coração vazio,
agora fervente, já, já tão frio.
Num tempo mestre, no outro aprendiz.
Entre o caos e a ordem,
ora pairando em voo largo,
ora chorando em solo amargo;
ora livre em cais de esperança,
ora peado em penedia esquecida.
Entre o caos e a ordem,
entre o principio e o fim,
entre o não redondo e o perfeito sim.
Meio caminho entre o “quero” e o “não quero”,
entre o sei e o nem tanto assim.
Entre o caos e a ordem,
entre a candeia e a negritude,
meio termo entre o sonho e a plenitude,
vogando num rumo sem rumo,
penando num mundo sem mundo.
Entre o caos e a ordem,
uma bolha de sabão vogando sem norte,
vogando sem destino nem sorte.


lágrimas de lua