Domingo, Fevereiro 19, 2012

Á BEIRA DO CAMINHO

Sentei-me numa pedra à beira do caminho da vida, deixei a estrada longa e comprida, por uns instantes.


Contemplei em redor para ver se era a minha estrada...

A planura lembra o Alentejo em pleno Estio; Seco, árido, quente, quase morto. Um vento abrasador envolve-me sem piedade e o sol a pique queima sem dó. Ponho as mãos sobre os olhos em pala e tento olhar para longe...para bem longe...Lá no inicio da minha longa e branca estrada...

Vejo uma pequena mancha de cor; verde, amarela, azul, vermelha, rosa...Até mim chegam os risos infantis e despreocupadas de menina; Por momentos fecho os olhos e vejo os rostos amados entretanto perdidos, as brincadeiras, as gargalhadas, as mãos dadas e a alegria de quem não cresceu e ainda aprende como é o mundo.

Abri os olhos e levada pela doce lembrança fixo os olhos de novo na paisagem...mas só a aridez me responde - dura, seca, descolorida. A estrada serpenteia um pouco e traça uma linha de chumbo no meio dos campos, imutáveis e estáticos, estéreis, pardos...

A estrada continua, linha cinzenta entre campos sem cor, serpenteia...Serpenteia, serpenteia e perde-se num infinito que o meu olhar cansado não quer ver.

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

POMBA BRANCA

Uma pomba voa de asas alegres abertas ao sol,


cabeça leve de olhos vivos e brilhantes,


rasga os céus inebriada e louca.


Voa porque é livre, voa porque é jovem,


voa em direcção a sonhos distantes


lindos! perfeitos! cabecinha oca.


E a pomba voa, pelo passar dos anos,


ainda acredita, ainda tem sonhos, ainda tem vigor,



conheceu a magoa, conheceu a dor e os vis enganos


mas voa alegre, voa com pujança, voa com ardor.


E a pomba voa, vão pesando as penas, desfiando o rol


de sonhos desfeitos, tristezas caladas,


desejos rasgados, sombras que se movem


sobre o seu voar de asas cansadas.


E a pomba morre, morre devagar a cada voo magoado,


as asas cortadas, desfeitas as penas pelo seu penar.


E a pomba morre num ultimo voo cansado


já não olha o céu, as nuvens o mar,


morre branca e doce, morre devagar.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

SONHO EM FARRAPOS

Feita de brumas insondáveis e vazios incontornaveis

são os desmandos de uma vida.

Desfeitos os sonhos, mortas as esperanças impenetráveis

como rosas desfolhadas na partida.

Suspensos os beijos no adeus que doeu,

perdidos os braços no abraço que morreu,

soluçados os desejos no tempo que terminou

no breve segundo que um suspiro levou.

Feita de densas brumas sem luz nem espaço,

são as veredas de uma vida cativa.

Poema sem rumo, palavras sem tom, pequeno pedaço

de um esfarrapado sonho sem perspectiva.

Feita de brumas...Feita de brumas...Feita de brumas,

tristes, insondáveis, dolorosas e impenetráveis brumas.

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

NOTAS DE UMA QUALQUER MELODIA


Desconsertadas notas de uma melodia quebrada
sem jeito, sem horas sem passado nem futuro.
Gaivota emudecida em ilha ignota de asas fechadas.
O vento ruge num Inverno gelado e prematuro,
e as notas ouvem-se soltas e dispares, desesperadas.
Melodias sem princípio nem fim, de rouca garganta soluçadas.
Como são tristes e desafinadas! Como são perdidas e ignoradas!
Gaivota sem voo, presa ao chão de olhos no infinito,
asas quebradas de marés por descobrir, por inventar,
vida indefinida ancorada num qualquer porto recôndito
com os dias por nascer com os dias por navegar.
Desconsertadas notas de uma melodia por tocar,
eterna peça por compor, eterno coração a sangrar.
Desconsertada nota de uma melodia incompleta
eterno voo adiado de uma gaivota em ilha deserta.



Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

DE NOVO NATAL...FESTAS FELIZES

Queria que este fosse um Natal diferente...

Queria que o coração voltasse à inocência da infância

que perdesse as manchas negras que a vida lhe pintou.

Queria que este Natal fosse de facto um presente

de olhar doce sem mágoa e sem ânsia

como o olhar puro da criança que a vida ainda não marcou.





Este Natal queria que o mundo parasse e olhasse o céu,

que as mãos se dessem de verdade e com magia,

que o perdão fosse sincero, que se rasgasse o espesso véu

do isolamento em que se vive, que se fizesse um hino à alegria.



Queria que este fosse um Natal diferente...

Queria....Queria tanta coisa simples e pequenina ..

Ou talvez eu queria o impossível porque perfeito.

Apenas posso desejar que o AMOR esteja presente,

que a AMIZADE seja a luz brilhante que ilumina

um caminho nem sempre correcto e sem defeito.



Este Natal de mãos abertas deixo que delas fluam

a simplicidade, a sinceridade, o amor e a paz,

e que num abraço fraterno tudo se misture num único voto;




FESTAS FELIZES e um NATAL VERDADEIRO