Sentei-me numa pedra à beira do caminho da vida, deixei a estrada longa e comprida, por uns instantes.Contemplei em redor para ver se era a minha estrada...
A planura lembra o Alentejo em pleno Estio; Seco, árido, quente, quase morto. Um vento abrasador envolve-me sem piedade e o sol a pique queima sem dó. Ponho as mãos sobre os olhos em pala e tento olhar para longe...para bem longe...Lá no inicio da minha longa e branca estrada...
Vejo uma pequena mancha de cor; verde, amarela, azul, vermelha, rosa...Até mim chegam os risos infantis e despreocupadas de menina; Por momentos fecho os olhos e vejo os rostos amados entretanto perdidos, as brincadeiras, as gargalhadas, as mãos dadas e a alegria de quem não cresceu e ainda aprende como é o mundo.
Abri os olhos e levada pela doce lembrança fixo os olhos de novo na paisagem...mas só a aridez me responde - dura, seca, descolorida. A estrada serpenteia um pouco e traça uma linha de chumbo no meio dos campos, imutáveis e estáticos, estéreis, pardos...
A estrada continua, linha cinzenta entre campos sem cor, serpenteia...Serpenteia, serpenteia e perde-se num infinito que o meu olhar cansado não quer ver.





