sexta-feira, novembro 25, 2016

SETE...SETE SORTILÉGIOS MANSOS..



Sete páginas por escrever e sete sonhos por sonhar,
sete anjos por encontrar e sete luas por enfeitar.
Sete sortilégios de amor e sete ondas por alcançar.
Sete sóis, dentro de sete estrelas, e sete lágrimas a derramar.

São sete os anéis de fogo e sete os vulcões adormecidos,
sete são as lagoas e sete as purpúreas auroras.
São sete os suspiros abandonados e despidos
em sete almofadas de cetim, perdidas em nebulosas horas.

Sete, as cores das dores de amor e sete são os pecados mortais,
onde me perco e me encontro. De que me visto e enfeito.
Sete flores por florir e sete manhãs por nascer. Sete olhares leais.
 E são sete as setas cravadas, amargamente, no peito.

Sete são as capas vermelhas, rubras de amargor e desencanto,
sete são meus nascimentos e sete serão minhas mortes.
Serão sete os meus delírios e as dobras do meu manto,
e mais sete hinos de agonia divididos por mil sortes.

Serão sete anéis de compromisso com orvalhos matinais,
e sete noivas enfeitadas com sete diademas de ouro.
Serão sete sapatinhos de cristal quebrados em vazio cais.
Sete anjos secam lágrimas – pérolas de um qualquer tesouro.

Sete páginas repletas de sortilégios mansos em sete marés de ternura.
Serão sete as manhãs de Outono e sete as noites de invernia.
Sete palavras de dor, sete beijos de amargura.
Vão ser sete as ninfas cantando em dulcíssima maresia.


 Venham sete barcas de Caronte! Venham sete trovões de alquimia.
Venham brados, venham sonhos, em amanheceres de poesia.

créditos tribodosgoticos.com




domingo, novembro 20, 2016

ONDE HABITAM OS ANJOS....



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"No sexto nível do céu, onde habitam os anjos",
Para lá do infinito, e do finito, desta terra,
onde os abismos são grifos de negras penas,
e os olhos se perdem do horizonte.
Para cá do principio e do fim de uma guerra,
onde as vidas se perdem, ou ganham, serenas.
E as mãos, abertas, vazias, constroem a ponte,
por onde o sonho vai passar,
por onde a dor vai desfilar.

"No sexto nível do céu, onde habitam aos anjos".
Debaixo da noite e sobre o dia, nas mãos das estrelas,
nas asas do desejo e no chão dos desencontros,
nas gargantas mudas de mágoa.
No fundo dos mares, entre naufrágios e querelas,
entre tesouros e medos, entre perdas e reencontros.
Na estiagem de cada suspiro, no acender de cada frágua.
Debaixo da terra e dos céus,
envolto em neblinas e véus.

"No sexto nível do céu, onde habitam os anjos".
Há sois que não se deitam e luas de eterna luz,
há sorrisos, que os anjos guardam, e sonhos que não morrem.
Há uma insana esperança férrea,
que pontua a vida dos homens que carregam a sua cruz.
Há uma estrela, que os anjos cuidam, e águas frescas que correm
como corsa em campo aberto, livre...etérea.

"No sexto nível do céu, onde habitam os anjos"... Será?



terça-feira, novembro 08, 2016

OS NOMES QUE TENHO...






Os nomes que tenho deu-mos a vida;

Baptizou-me: Mulher e deu-me um coração amante.
Baptizou-me: Sonhadora e deu-me uma alma errante.
Baptizou-me: Criança e vestiu-me de alegrias.
Baptizou-me: Sonho enfeitou-me de fantasias,
fez delas o meu magistério.

Os nomes que tenho deu-mos a vida;

Baptizou-me: Mar e encheu-me de esperanças.
Baptizou-me: Nuvem enfeitando de lembranças.
Baptizou-me: Brisa e fez-me voar para longe.
Baptizou-me: Névoa e fez-me segredos de monge,
em árido ermitério.

Os nomes que tenho deu-mos a vida;

Baptizou-me: Tristeza vestindo-me de negra dor.
Baptizou-me: Mágoa estampada em tela sem cor.
Baptizou-me: Noite esperando por uma nova manhã.
Baptizou-me: Esperança acreditando no amanhã,
e em todo o seu mistério.

Todos os nomes que tenho foi a vida que mos deu.
Mas apenas um se destaca: aquele com que assino,
aquele que me define, aquele que sou mais EU.
O que me rege olhar, o que me rege o destino;

O meu nome : MULHER


quarta-feira, novembro 02, 2016

MULHER TERRA...POR NAVEGAR





imagem: espacoalpha


Mulher terra: teu corpo amortalhado de invernia
guarda cioso as sementes dos Verões por nascer
e as chuvas que choram ensopando a cercania,
os prados e os campos que o sol fará florescer.
Mulher terra: trazes no ventre a esperança,
nas mãos passam as contas do teu rosário de dor.
E nos olhos, que o mar alcança, pedes a temperança,
rezas a inclemência, semeias trabalho e amor.
Mulher terra: teus pés são gaivotas sem dono nem chão,
e teus olhos são lagoas por onde adormece o Verão.
Mulher terra: teus seios – uvas doces – intocados de solidão,
teus cabelos as raízes que dão vida e perdão.
Mulher terra: sofrida de tanto penar, orar, esperar,
és pedaço de solo fértil que mãos duras não sabem arrotear,
nem arados, nem foices, nem enxadas sabem onde começar,
porque tu, Mulher terra, não tens principio nem fim para mostrar.
Mulher terra: confundes-te com o solo e as plantas a crescer,
mas és também onda azul a rebentar: gaivota breve fugidia,
és o tudo e o nada que na lava veio lutar e veio morrer.
És a hortênsia que teima em ser flor, embora singela e tardia.
Mulher terra: soluças como a terra em convulsão,
amas como se não houvesse mais perdão,
dás teu corpo às intempéries para que nasça o pão.
És somente Mulher terra enfeitada de azul, verde e carvão.
Mulher terra: porque choras? Por que lágrimas te perdeste?
Por que rios te esvaíste e por que mares navegaste?
Que gaivotas e milhafres teus olhos guardaram no muito que já viveste?
Quantos barcos e arpões arremessaste? E que pão do diabo já amassaste?
Mulher terra: somente mulher, deitaste raízes profundas, cravadas em solo duro,
bebendo das águas da pobreza, das privações e da luta.
Mulher terra: que és semente, és flor, és mar, és suporte de amor puro
de beleza sem igual. Um dia o teu corpo, em eterna escuta,
vai saber ser nuvem, ser margem, ser casca de noz arrojada…vai  apenas navegar.


terça-feira, outubro 25, 2016

UM ÚNICO MAR...POR NAVEGAR

Há no mar o mistério do azul, e o profundo do negro,
há no ar o sal de descalço viver.
E nas ondas de alva espuma, as palavras por dizer,
escondem-se dos lábios por encontrar.
Na morte aparente das hortênsias, segredam-se sonhos,
murmuram-se contratempos e desencontros,
esperam-se chuvas e raios de sol, esperam-se abraços de mar.
A saber a sal, a saber a tristeza terna e esperança.

Há no mar, de azul cobalto, um olhar perdido no horizonte,
e um sopro de navio em busca de porto de abrigo.
Há o ardor da labuta de corações a mourejar,
de caudas na distancia, de tempos de intemperança,
de sonhos mortos e outros por sonhar.
E há as gaivotas sempre prontas a partir...e a voltar.
A lava negra, eriçada, de trágica e rude beleza
que embala todos os medos e a trágica fragilidade do ser.

Há no mar, revolto de fúria incontida, a certeza da presença,
a fome por matar, a sede por aventurar, a dor a espreitar,
e há o fogo em cada olhar. E há a mansidão nos pastos a verdejar.
Há o frio, o agasalho, o pão, o ralho, a mão calejada de pelejar.
E uma beleza intemporal, um sonhar acordado e um morrer a cada passo
para logo ressuscitar. 
E sempre o mar, salgado mar, e o verde, de louca esperança
a invadir a alma, a vestir o corpo, a coroar cada sonho.

Há um mar, eterno e único mar, onde o mundo acorda e dorme,
onde a vida ainda vibra...Ainda acontece... Há um mar - Este mar!