sábado, setembro 29, 2007

PORTO SEGURO

Mensageira de um porto seguro

a quem a lua foi roubada,

a quem os sonhos foram arrancados.

Mensageira de um ténue futuro

a quem a passagem foi trancada,

a quem os desejos foram despedaçados

como peças de um puzzle qualquer

que o vento derrubou.

Menina, que o tempo fez mulher

e a vida quebrou.

Mensageira de um grito sem som

perdido na noite sem luar,

de raios sem cor e sem tom

afogados num rio que só corre para o mar.

TUDO TEM UM FIM

Fim, tudo tem um fim!
Um sonho, um desejo, uma ausência, uma dor.
Chegou a hora de segurar o que resta
mesmo quando tudo à nossa volta não presta,
e a vida é só uma estrada sem cor.
Fim, tudo tem um fim!
Uma vida, um amor, uma amizade, a confiança.
Chegou a hora de virar as costas
enfrentar os desafios, as novas apostas,
caminhar, sem forças, acreditar na esperança.
Fim, tudo tem um fim!
Quando o desalento bate fundo,
Quando nada já faz sentido
E cada passo é um rumo perdido,
Deixo que a bruma aninhe o meu mundo.
Fim…Mas porque tudo o que amo tem que ter um fim?






terça-feira, setembro 25, 2007

SOBRAS SOMENTE!


O que sobra do tempo, o que sobra….
O que sobra do espaço, o que sobra da vida,
o que sobra do amor, só o que sobra,
migalhas. Se formiga fosse seria uma bênção,
mas sou gente.
Sobras, restos, o que há, somente!
O que sobra do inferno e o que sobra do céu,
o que sobra de tudo o que não é meu,
o que sobra da chegada, o que sobra da partida,
o que sobra do cansaço e do desalento,
o que sobra da tristeza, da alegria, do sim e do não.
O que sobra da paz, o que sobra do tormento,
migalhas. Se formiga fosse seria um mundo,
mas sou gente.
Sobras, restos, o que ficou, o que há, somente!

UM CERTIFICADO


Fui agraciada pela minha querida Juli do blog "Lagrimas e Sorrisos", com este Certificado Blog, uma amiga muito especial que prezo ter no coração e nas lides das letras.
Imerecido e deixando-me sem graça, mas aqui está ele, e como as coisas boas e lindas desta vida devem ser partilhadas e doadas, aqui venho fazer, com um beijo especial a todos, a minha "doação";
Ana Luar- analuar.blogspot.com
Gui - coisasdogui.blogspot.com/
Lu@r - suspiroempensamento.blogspot.com
Moinante -tascanight.blogspot.com/
Vlad - eternidadenummomento.blogspot.com
Profeta - profeciaeterna.blogspot.com/
Num mundo de sonhos feito bolas de sabão
soprado ao vento, passando de mão em mão,
num mundo de sorrisos, de lágrimas e alegrias,
de calmas, de tristezas e de loucas fantasias,
possam as palavras ser eternas,
possam as amizades manter-se fraternas.
Um beijo sem tamanho
Luar Perdido

domingo, setembro 23, 2007

ESPERO-TE....SEMPRE

Espero-te a cada nova madrugada
a cada raiar de uma qualquer aurora,
espero nesta ânsia desesperada
de te apertar ao peito aqui e agora.
Espero-te a cada amanhecer
na macieza dos nossos lençóis,
espero-te no manso entardecer
do canto doce dos rouxinóis
que nos embalam cantando nos beirais.


Espero-te na noite escura e densa,
plena de mistérios prateados de luar.
Espero-te, e a dor é como uma prensa
matando o coração devagar,
sofrendo, sofrendo, sofrendo demais!
Espero-te em cada esquina que cruzo,
em cada longo e mudo instante,
espero-te, desejo-te, uso e abuso
do amor que transborda hiante
em mim a cada segundo que não te tenho.
Espero-te e desespero-te, amor ausente,
amor amado, amor querido, terno e carente.
Continuo, amor, à tua espera….Porque não te tenho.

sábado, setembro 22, 2007

INEXISTENCIA

Em busca de um lugar que não existe,

de um sonho que apenas desiste

de o ser e de viver.

Em busca de um espaço que não encontro,

caindo mais fundo a cada desencontro

desta vida a esmaeçer.

Em busca do quê? Nem sei...

De tudo, de nada, do que recebi e dei,

do que quis e não achei,

do que quero e não tenho,

de sarar o duro lenho

que me rasga o coração.

Em busca de um lugar que não existe,

de uma vida que persiste

sem sentido e sem razão.

quinta-feira, setembro 20, 2007

DE MEU....NADA

Afinal que tenho eu de meu?
As estradas livres para passear, as praias abertas para molhar os pés em finais de tarde, as veredas da serra silenciosas e plenas de vida, para ouvir os meus passos lentos e cansados.
Olhos que ainda sabem ver as estrelas, o sorriso das crianças, o requebro das ondas nas rochas, o ondular das searas e das verdes copas. Ouvidos, para escutar o vento a passar rude nas cercanias dobrando os troncos velhos mas resistentes, para escutar o arrulhar meigo das rolas em namoro simples e sem trapaças ou mentiras, para escutar o silêncio imenso que me fala e me preenche.
Um coração magoado mas que teima em bater e fazer o sangue girar, e esse “outro coração” que secou mas que ainda teima em vibrar a cada beijo da aragem, a cada sussurro do mar, a cada toque das gotas de chuva, a cada pensamento terno que a alma envia.

As lágrimas que escorrem sem travão pelos olhos enevoados e sem cor, mas que ainda se voltam para o sol para que as duras lágrimas sequem e abandonem o seu posto de vigia.
E tenho esta alma idiota e sem tino que se prende a cada pétala de flor, a cada raio de luz, a cada olhar que passa, a cada dia que nasce, a cada noite que desce e a cada madrugada que se anuncia.
Afinal que tenho eu de meu?
Tudo e Nada, porque nada me pertence, de meu não tenho nada.

BASTA


Basta de ser lixo, de ser resto, de não ser.
Basta de olhar em volta e nada ter!
Basta de me curvar, de tudo mudar e de ceder
aos caprichos, humores, e ao tempo que houver.
Chega de esperar porque não pode vir,
não quer, não sabe ou simplesmente desistiu.
Chega de ficar na vida a resistir
e nada mais ter que algo que já partiu.
Basta de ser uma coisa que se manobra,
que se estende agora e logo se dobra
para não aparecer, para não existir,
para estar arrumada mas pronta a servir,
mal surja a hora, o minuto, o dia.
Basta de ser trapo que se amarrota a um canto,
de ser a roupa no final de um dia
onde o suor impera a par com o desencanto!
Basta de ser lixo, ser resto, ou de não Ser!


terça-feira, setembro 11, 2007

A TI...




A ti meu amor.....

Sejas tu quem fores, venhas tu como vieres,

a ti meu amor...

Uma flor, esta que se chama coração
e no peito bate, se assim o quiseres,

feito chama, labareda de paixão.

A ti meu amor...

A quem não conheço, mas a quem quero,
a ti meu amor....

Entrego-me inteira em tuas mãos,

faz de mim escrava de um amor sem fim,

faz das nossas almas e desejos irmãos

de rendição, de luz e vida em mim.

A ti meu amor....

Sejas tu quem fores,

a ti meu amor...

Paleta de mil cores,

a ti meu amor...

Um hino de poesia,

num beijo sonhado pleno de fantasia


domingo, setembro 09, 2007

ESPONJA


Passo por estes dias como uma esponja.


Absorvo o mundo, a natureza, saturo-me do bem e do mal, impregno-me do amor e do ódio, da dúvida e da certeza. Incho, cresço de desespero, de alegria, de infinito e absoluto, de medo e coragem, da noite e do dia, da luz e das trevas. Mas como simples esponja que sou basta uma máscula mão me espremer e tudo escorre por um qualquer cano de esgoto….
Fico a secar num qualquer canto da vida, e aí é o vento que me percorre, o sol que me seca a pele, fico vazia, oca, nada me preenche, mudei a cor, a textura o préstimo, encolhi, fiquei uma pequena bolinha encolhida e desmaiada.
Passo por estes dias como uma esponja, apenas e só uma simples….Esponja

quinta-feira, setembro 06, 2007

SEM ABRIGO

Sou sem abrigo da vida,
vagabunda de sonhos,
entre águas dividida.
Sou deserdada da sorte,
entre os negros medonhos
caminho ao sabor da morte.
Sou sem abrigo da terra,
sou folha levada p’la aragem,
sou o vento agreste da serra
arrastada nesta voragem.



Sou a alma que caminha
sem rumo, destino, ou sorte,
deserdada, na lama patinha
sem nada que a conforte.
Sou sem abrigo da vida,
vagabunda de sonhos
sou alma penada, perdida,
em passos sem rumo, tristonhos.

terça-feira, setembro 04, 2007

CARTA A UM AMOR...AUSENTE?

Meu amor….
Há quanto tempo te ausentaste? Uma hora, um dia, um mês….Não sei dizer-te porque me parece que partiste há uma eternidade.
A casa esta vazia, as tuas coisas permanecem silenciosamente arrumadas, o teu perfume paira ainda tenuemente no ar e o quarto parece um poço sem fundo. A cama desajeitadamente vaga de um lado, a almofada, que não arranjei, tem ainda a forma da tua cabeça amada e tão desejada.
Quantas noites já passaram? Não me perguntes. Eu não sei dizer, perdi-me no arrastar dos dias cinzentos, embora o sol brilhe intenso, eu tenho uma nuvem de frio intenso em mim. Vagueio sonâmbula pela casa, compondo sem graça um quadro, endireitando um dos bibelots que olham para mim sem cor.


Sentei-me para te escrever, para te dizer que embora longe o meu coração se desfaz de dor, que jamais esquecerei um amor que acalentamos no fundo dos nossos corações amantes e docemente fizemos crescer, florimos nas mãos do outro, demos fruto na vida do outro, e na alma do outro comungamos o sonho, o desejo, a paixão, o AMOR.
Sentei-me para te dizer amor, que não há distância, nem silencio que mate um amor assim. Não há palavras para descrever tanta coisa que por mim passa nesta hora, lembras-te amor, a nossa hora? Aquela em que costumavas chegar de sorriso nos lábios, e braços carentes, corpo ansioso e beijos quentes, mãos vivas e apressadas. Aquela nossa hora em que o mundo morria lentamente lá fora e nós nos dávamos em união sem barreiras, sem preconceitos, apenas fazíamos do amor, o nosso amor, éramos apenas duas pétalas da mesma rosa a desabrochar.
Há quanto tempo estás ausente amor? Não sei, esqueci-me das horas, dos dias, porque aqui neste canto estás sempre, presente nos pequenos nadas que me rodeiam, e que me lembram de ti, que me trazem as mais doces lembranças à memória.
Quase posso ouvir a porta abrir-se devagar e os teus passos leves caminhando pelo corredor em direcção à sala, onde por norma te sentavas e me prendias no teu colo, como criança que se embala, onde fazias de mim mulher, a tua mulher, como dizias num sussurro embevecido de cada vez que me tinhas nos braços, rendida, perdida de um amor que deixávamos fluir e inundar o espaço.
Escrevo-te nesta hora amor, em que te espero desnudada e de pele fresca e perfumada, nesta hora em que sol já entra ao rubro pelas vidraças do quarto e lembra o fogo do amor trocado nos lençóis imaculadamente alvos, onde de manso deitavas o meu corpo para o cobrires com o teu num enlace dulcíssimo.
Quanto tempo passou, amor? Não sei…Acho que só me deixei embalar um pouco, porque estás aqui, o teu braço me enlaça, sobre a minha cabeça, no teu peito descaída, está a tua, como sempre, e o teu respirar calmo adoça o ambiente, aninha a minha ânsia de nunca te perder. Amor! Sempre estiveste aqui! …Foi apenas um desvario da minha cabeça.