sexta-feira, fevereiro 24, 2012

FANTASMA DE MIM

Coloca borboletas brancas nos meus olhos roxos
como os lirios tristes do campo,

como as suaves e envergonhadas violetas.

Coloca pétalas rubras na minha boca

calada e fria, duramente fechada

para que o grito não se solte.

Coloca o sol no meu coração negro

como os negros tições,

ou mais tenebrosa noite de tempestade.

Coloca um sonho no meu ser

para que não seja apenas uma concha vazia,

ou um fantasma de mim.



Coloca brancas borboletas nos meus olhos sem cor....

domingo, fevereiro 19, 2012

Á BEIRA DO CAMINHO

Sentei-me numa pedra à beira do caminho da vida, deixei a estrada longa e comprida, por uns instantes.


Contemplei em redor para ver se era a minha estrada...

A planura lembra o Alentejo em pleno Estio; Seco, árido, quente, quase morto. Um vento abrasador envolve-me sem piedade e o sol a pique queima sem dó. Ponho as mãos sobre os olhos em pala e tento olhar para longe...para bem longe...Lá no inicio da minha longa e branca estrada...

Vejo uma pequena mancha de cor; verde, amarela, azul, vermelha, rosa...Até mim chegam os risos infantis e despreocupadas de menina; Por momentos fecho os olhos e vejo os rostos amados entretanto perdidos, as brincadeiras, as gargalhadas, as mãos dadas e a alegria de quem não cresceu e ainda aprende como é o mundo.

Abri os olhos e levada pela doce lembrança fixo os olhos de novo na paisagem...mas só a aridez me responde - dura, seca, descolorida. A estrada serpenteia um pouco e traça uma linha de chumbo no meio dos campos, imutáveis e estáticos, estéreis, pardos...

A estrada continua, linha cinzenta entre campos sem cor, serpenteia...Serpenteia, serpenteia e perde-se num infinito que o meu olhar cansado não quer ver.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

POMBA BRANCA

Uma pomba voa de asas alegres abertas ao sol,


cabeça leve de olhos vivos e brilhantes,


rasga os céus inebriada e louca.


Voa porque é livre, voa porque é jovem,


voa em direcção a sonhos distantes


lindos! perfeitos! cabecinha oca.


E a pomba voa, pelo passar dos anos,


ainda acredita, ainda tem sonhos, ainda tem vigor,



conheceu a magoa, conheceu a dor e os vis enganos


mas voa alegre, voa com pujança, voa com ardor.


E a pomba voa, vão pesando as penas, desfiando o rol


de sonhos desfeitos, tristezas caladas,


desejos rasgados, sombras que se movem


sobre o seu voar de asas cansadas.


E a pomba morre, morre devagar a cada voo magoado,


as asas cortadas, desfeitas as penas pelo seu penar.


E a pomba morre num ultimo voo cansado


já não olha o céu, as nuvens o mar,


morre branca e doce, morre devagar.