quinta-feira, janeiro 22, 2009

TIMONEIRO LOUCO

Num mar sem rumo ou maré,

águas vivas imprecisas e soltas,

ora se caminha ora se perde o pé,

ora são mansas ora revoltas.

Silencioso barco de névoa solitária

e brumas por velas cinzentas,

onde o timoneiro é uma alma pária

de mágoas duras e pardacentas

que navega sem destino ou rumo.

Olhos glaucos, ou nuvens de fumo,

mãos crispadas no leme inerte,

vazio, eterno, à espera que desperte

ao som estrepitoso de uma vaga,

ao pio estridente da gaivota solitária,

tão solitária como a negra fraga

que no horizonte se ergue. Calcária

de tão fria, basáltica de tão negra.

Num mar sem rumo, calenda grega,

que de eterna tem a condenação

escrita e assinada a esmerilado carvão.

E de olhos perdidos na liquida imensidão

vai o timoneiro louco, alma desnuda

num grito calado de dor e solidão,

que o coração cala e o mar não muda.

sábado, janeiro 17, 2009

MAR DE PALHA


Mar de marasmo e desilusão

onde flutua uma triste jangada

de pedra.

Mar de liquida escuridão

onde escachoa a água salgada

que se quebra,

na proa oscilante da frágil existencia,

nos remos cansados sem resistencia,

na madeira carcomida da solidão,

na lágrima teimosa da desilusão.



Mar de palha já sem cor

onde ecoa o tempo vivido.

feito pedra.

Mar de arrasto sem pudor

onde se perde o amor sentido

que se quebra.

Mar de liquida tristeza,

mar de infinita frieza,

mar de louca paixão,

mar de dolorosa desilusão.