domingo, março 20, 2011

ENGANO

Saber o que está para além,

escondido atrás de cada fachada,

olhar sem perceber o que tem

cada olhar, cada mão fechada.

Pensar que se conhece alguém

como a palma da nossa mão,

e no fundo, saber que ninguém

se conhece neste imenso mundo cão.

Querer perceber o encoberto,

querer ter certezas sem sentido,

querer ter por certo o incerto

e saber caminhar mesmo perdido.

Tentar arrumar onde não doa

tudo o que se sabe e não sabe,

mas se uma simples palavra soa,

parece que já nada mais cabe

na gaveta da arrumação.

E volta a luta e a repetição

dos mesmo passos e gestos

para arrumar na gaveta

o que se acha saber. Os restos

da musica e a letra

da velha e gasta canção,

das palavras, dos olhares,

dos sonhos e desilusão.

dos momentos aos milhares

que ficam sem solução.

E tudo por se querer não pensar,

não perceber, não olhar.

E no fundo querer encontrar

o que está para além da fachada,

onde não nos é franqueada

a simples e desejada entrada.


1 comentário:

O Profeta disse...

Calei a alma
Aprisionei o sentir deste estúpido coração
Mergulhei o corpo em agua dormente
E lembrei-me de uma esquecida oração

De quantas palavras se faz a melodia?
Para onde caminham os passos de uma criatura perdida?
O que será que pensa um homem caído?
Para que serve a verdade incontida?

Perdi a vela do meu barco de papel
Mil tempestades assolaram-me à alma
Abandonei o leme ao deus dará
E encontrei uma deusa em lágrimas, de perdida chama

Mágico beijo