terça-feira, maio 13, 2014

SILENCIOSA TEMPESTADE


Ruge o céu plúmbeo de desespero. Ruge calado, sem som!
Grossas bátegas caem dos seus mil olhos de sombrio tom.
Na terra tudo é silencio e expectativa ao cair da chuva pesada,
e as nuvens rolam sobre a minha cabeça sem rumo, desnorteada.

As estrelas, envergonhadas, espreitam pelas nuvens negras,
mas não se vê a sua luz, o seu brilho não pontilha o céu desta noite,
só esta tempestade calada, dura, ribomba em clarões sem regras,
sem normas, sem pejo, sem medo, sem nada. Sem espaço que me acoite.
Olho o céu acobreado e cinza, como pássaro de morte de asas vazias,
de garras afiadas e dilacerantes, abatendo-se sobre mim sem dó.
Enterra as lancetas nas memórias, deixando-as esvaídas e frias,
brancas, soltas, esquecidas transformando-se somente me pó.

Ruge o plúmbeo céu sobre os meus passos tristes e tementes,
evolui a tempestade entre o silêncio das minhas dúvidas fermentes.
Da angústia sufocante como corda de enforcado apertando mais o nó.
Ruge em surda raiva de ironia, em baixo de olhos posto no céu, eu…Só!


1 comentário:

Flor de Jasmim disse...

Triste minha querida luar!
É de angústias de dúvidas de falta de esperança que muitos de nós estamos a sobreviver.

Dentro do possível tem um boa semana querida.

beijinho e uma flor