terça-feira, novembro 04, 2014

ESPERANDO POR UM AMANHECER



Inunda-me um calor meigo que aconchega mas que calo,
porque não posso extravasar. Inunda-me a força da vida
que em mim repousa a pulsar. Este silencio onde falo,
sem sons, para não perturbar.  É estar assim dividida
entre temer e amar. Entre sentir-me rebentar de tanto ter para dar.

Inunda-me um sentimento doce preso por duras amarras
que somente quero quebrar. Inunda-me um periclitante vulcão
que está prestes a rebentar. Em mim trinam as guitarras
que o fado não sabe cantar. E a voz perde-se nesta solidão
de quem não pode falar. Com o coração alagado de um mundo para doar.

Como se calam os sentimentos que a voz não pode demonstrar,
que o corpo não pode entregar e alma tem que sufocar?
Como se trava a pressa e se anda com calma paciente e mansa,
quando tudo nos empurra para essa louca dança
de quem tem um mundo de vida para entregar?

4 comentários:

Flor de Jasmim disse...

Que essas amarras se quebrem!
Muito profundo.

Beijinho e uma flor

Zélia Chamusca disse...

"Esperando por um amanhecer" é um extraordinário poema pleno de sensibilidade poética como todos desta singular poetisa
in LAGRIMAS DE LUA

Parabéns!

ZCH

Helena Medeiros Helena disse...

É doloroso tanto se ter para falar, e sentir que a voz ficou sufocada, que os gestos não podem se libertar, que a palavra não pode ser escrita, e que de pés e mãos atados não há como se livrar das dores da alma, dos tormentos do coração, das inverdades que precisam ser contestadas, dos sentimentos que se querem livres, das emoções que se querem libertadas...
Há que se esperar por um amanhecer! Que ele te chegue envolto nos sorrisos e nas estrelas que esperam o momento certo para enfeitar o teu olhar.
Com carinho,
Helena
(http://helena.blogs.sapo.pt)

A.S. disse...

Tão madura, tão frágil,
selvagem prisioneira
tanto tempo preservada
à espera do tudo e do nada!...

Beijos,
AL