quarta-feira, abril 04, 2018

LONGÍNQUA VALSA



Imagem retirada da net

Subi ao eterno para te contemplar,
das etéreas nuvens, beijar a sombra que em mim ficou.
Subi ao mais alto dos céus para implorar,
que tudo se apague, esfume, que se dissolva o que sobrou.
Marioneta sem jeito, presa por fios de gastos luares,
olhos de andorinha sem beirado, asas quebradas de vento
suão. Boneca de trapos numa cadeira sem tempo nem vagares.
Folha arrancada a uma árvore sem nome que suspira num lamento:
De onde vem o vento norte? Que navios traz encurralados nas vagas?
Que sonhos espreme pelos caminhos de arrepiado desalento?
E que novas, em amarelecidas cartas, contam diletantes sagas?
Subi ao eterno para te contemplar,
de longe, do meu silêncio; dura clausura de monja, descalça
nas negras pedras, de um caminho ainda por caminhar.
Subi ao mais alto dos céus; dancei uma longínqua valsa
de desconcertado piano, desafinada ortografia, patética melodia.

Subi ao celestial azul para te olhar
e derramei, sem querer, pérolas de um longo penar.


Lágrimas de lua



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8 comentários:

Flor de Jasmim disse...

Quando as folhas são arrancadas a dor é muito forte!

Beijinho minha querida

Jaime Portela disse...

Uma valsa longínqua, mas tão perto...
Parabéns pela excelência do poema, gostei muito.
Bom fim de semana, querida amiga.
Beijo.

Acrescenta Um Ponto ao Conto disse...

Belissimo texto. Parabéns!

Convidamos a ler o capítulo VIII do nosso conto escrito a várias mãos "Voar Sem Asas"
https://contospartilhados.blogspot.pt/2018/04/voar-sem-asas-capitulo-viii.html

Saudações literárias!

rosa-branca disse...

Uma dança de mágoas vestidas de nostalgia. Adorei tão belo poema. Boa semana amiga e beijos com carinho

LuísM Castanheira disse...

Excelente poema, minha Amiga, onde a dor é um forte vendaval.
É o "vento Norte" sentido pelas árvores que, de pé, guardam memória.
Um beijo de luar.

Jaime Portela disse...

Passei para ver as novidades.
Mas gostei de reler o teu excelente poema.
Continuação de boa semana, minha amiga.
Beijo.

Mariete Salema disse...

Poema doce e muito sedutor.
.
* Sexo na Vertente BDSM: Violência ou prazer? Artefactos usados. *
.
Beijinhos

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Lindo poema! Dançando do nos céus; voando nos véus do vento suão!... Um poema de estrutura, ritmo, musicalidade e conteúdo robusto, que faz a gente encantar no canto dele. Parabéns! Tudo de bom! Grande abraço. Laerte.
OBs: Cada vez que aqui venho, lembro de Leninha... Que Deus a tenha!

CAIS DE ANTEPASSADAS PEDRAS

Imagem retirada da ne t Um rasto de luz, uma porta entreaberta, um sopro de verde, uma lágrima de vento,...