sexta-feira, outubro 16, 2015

PODIA

Podia escrever um amor sem limites ou uma paixão sem barreiras,
podia escrever momentos intensos de loucura e horas sem fronteiras.
Podia escrever-te em mil palavras de um fogo eterno e rubro
de uma cálida noite de verão ou de um frígido inverno obscuro.

Podia elevar-me nas asas de uma quimera pairando mansa
sobre a vida suspensa por invisíveis fios de luz de luar. 
Podia mergulhar nos abismos do esquecimento e numa dança
rodopiar  louca sem principio nem fim. A afundar... a afundar.

Podia escrever uma vida vivida, desdobrada e percorrida
ou todas as pedras que encontrei pelos meus caminhos.
Podia escrever todas as dores e toda a mágoa escondida
e gritar aos quatros ventos que estou de pé por entre os espinhos.

Podia escrever-te em tons de sonho, de maresia e verde prado,
ou escrever cada aurora,  esperança traída e desejo amordaçado.
Podia ser apenas  a nuvem passando breve no céu,
pássaro de fogo ou fénix, podia ser tudo! Menos breu.



1 comentário:

Helena disse...

Tu podes sim escrever sobre um amor sem limites, falar de momentos de intensa loucura, escrever mil palavras de fogo eterno ou de uma noite de verão, ou até de um inverso frígido e obscuro... Tu podes sim se elevar nas asas de uma quimera sobre a vida suspensa por invisíveis fios de luar... Só não podes mergulhar nos abismos do esquecimento nem rodopiar sem princípio nem fim buscando afundar... Mas podes sim escrever uma vida percorrida sobre todas as pedras que encontraste pelos caminhos, sobre todas as dores e mágoas e ainda gritar aos quatro ventos que estás de pé, mesmo entre os espinhos... Podes sim escrever em tons de sonho ou sobre cada aurora, talvez sobre uma esperança traída, sobre um desejo amordaçado ou até sobre uma nuvem passando no céu...
Tu podes sim, menina linda, escrever sobre o que quiseres, pois não sendo um pássaro de fogo, mas sim uma Fênix renascida das próprias cinzas nunca serias breu, pois tens a alma de poeta, e quem a tem nunca estará na escuridão, porque tem a amplidão do céu para um vôo de libertação.
Minha linda amiga, desculpe pela ousadia de tecer um comentário como se respondesse a este belíssimo poema, mas credite esta minha audácia ao muito que gostei da tua criação, pois bem sabes o quanto te admiro e o muito que te gosto.
Um beijo nesse coração tão iluminado de amor.
Com carinho,
Helena