quinta-feira, julho 08, 2010

SOMENTE A NÉVOA


Névoa envolvente e húmida,

baixando lenta e silenciosa

cobrindo a vida putrida

numa onda odorosa.

Névoa amiga e poderosa,

que descendo breve na calma

aparente dos meus dias,

te revelas esplendorosa

nessa branca luz sem alma,

com a qual me desafias

a abrir de novo os olhos,

encarar de novo o caminho

a abraçar novos escolhos.

Colher de cada raminho

num novo alento, uma vida.

Névoa húmida e envolvente,

esconde-me...Docemente.

terça-feira, junho 15, 2010

SEM MÁGOAS, SEM PENAS


Dobrei os restos, as sobras,

arrumei-os no esquecimento.

Alisei da vida todas as dobras,

dos sonhos, de cada momento.

Enterrei todas as lágrimas

e apaguei a chama ardente,

depus o escudo e a esgrima

fechei a porta, tranquei o batente.

Dobrei tudo o que sobrou

sem mágoas e sem pensamentos,

e deste espaço que ficou

quero fazer novos momentos.

Do vazio que não destrói

quero que permaneça apenas

esta calma que não dói

esta dor que não tem penas.

sexta-feira, junho 11, 2010

SOMBRAS DO MEU CAMINHO...


Acordam as doces sombras do caminho

que trilho em passos lentos sem fim,

nos ramos das árvores em cada ninho

aconchega-se a vida sem mim.

Nas veredas desta oca vida

que passo a passo se percorre,

entre lágrimas e sorrisos dividida,

o coração lentamente cala-se e morre.

Doce morrer entre o arvoredo,

entre as sombras das veredas!

Doce olhar à volta, e sem medo

partir suavemente envolta em sedas,

em carmim e verde água,

entre azuis e lilazes de saudade.

Alma que deslizas sem a mágoa

que um dia te feriu sem piedade.

Acordam as doces sombras do meu caminho...

terça-feira, junho 01, 2010

SOMENTE O SOL....

O Sol brilha no céu azul e sereno,

a brisa de um verão anunciado

sopra ao de leve os meus sonhos,

o coração finalmente em paz, repousa.

O Sol bem alto, quente e pleno,

irradia calor e um ambiente desusado

que afasta o bizarro e enfadonho,

enchendo-me da calma de quem ousa

caminhar pela vereda silenciosa,

umbrosa, verde e majestosa.


O Sol brilha com fulgores de verão,

a terra ri sob os seus raios dourados,

eu caminho a trilho solitário

de quem achou finalmente a sua rota.

Calmo, manso, cadenciado bate o coração,

longe dos sonhos loucos e ansiados,

os passos seguem ao contrário

daquela vida que eu fiz digna de nota.

Mas o Sol continua a brilhar alto no céu

e eu a trilhar a vereda de sombra...

sexta-feira, maio 07, 2010

SOB A VENTANIA


Alma nua de ventania,

verde e roxa de maresia.

Alma louca de solidão

nas dobras da desilusão.

Mãos sem dono e sem rumo,

mãos desfeitas em fumo,

debatendo-se na imensidão

dos dias feitos de nada.

Alma nua na vastidão,

de desertos adornada,

de sonhos despovoada

de negro amordaçada.

Alma nua na ventania

da voragem da vida,

vestida de melancolia,

espartilhada e dividida.

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...