terça-feira, maio 15, 2007

EXCLUIDA


Folha arrancada de um livro que o tempo se encarregou de amarelecer, pedaço de vida sem gosto, sem cor, nos dias que se esquecem de amanhecer.
Folha amachucada, perdida, enrugada, pisada, rasgada sem préstimo algum, já rabiscada, suja e amarfanhada, que o vento arrasta para lugar nenhum.
Eterna excluída, banida e esquecida depois de usada, depois de rendida, como qualquer folha de um velho caderno largado a um canto sem sinais de vida.
Vogo em mares de negras vagas, alterosas ondas de medos sem fim, vogo sem rumo entre escolhos mil, à espera de mim. Tempestade imensa, insana tormenta! Que arrastas louca uma frágil noz, que tudo arrebatas e nada te contenta, nada te seduz, nada te demove, devoras enraivecida cada estrela ardente, tempestade em chamas, que tudo arrasas e docemente queimas esta folha dolente…
Folha arrancada de um livro qualquer que o tempo comeu, que o tempo gastou, que o tempo esgotou que o tempo esqueceu.

9 comentários:

Juℓi Ribeiro disse...

Querida amiga Luar:

Postagem Linda,
Muito bem escrita,
porém triste...

Nunca te disse
mas pinto desde criança.
Fiz vários cursos,
mas deixo o coração
me levar...

Essa folha que falas
pode ser reciclada,
colorida com muitas cores:
o verde da esperança,
o vermelho da paixão,
o branco da paz,
o azul do céu.
Poderia colocar
muitos pingos
de sentimentos:
Sorriso de criança,
colo de mãe,
abraço de amigo,
lágrima de felicidade,
renovação, crescimento,
sensibilidade.
Penso que somos parecidos
com a folha de um livro.
Mas que podemos ir além
do sofrimento
e de maneira positiva
escrevermos novos sonhos,
idéias e lindas histórias.
Te desejo
muitas folhas de livros,
repletas
de histórias felizes.
Receba o meu carinho
e a minha admiração.
Beijo.*Juli*

Nélia disse...

Caro(a)s Bloggers,


A NEGRA TINTA EDITORIAL tem o grato prazer de lançar a obra “CÂMARA ESCURA (revelação), do poeta Joaquim Amândio Santos, com prefácio de António Lobo Xavier.

Sendo esta obra mais um trabalho nascido de um escritor cuja carreira foi lançada na blogosfera, a exemplo das edições previstas e possíveis no futuro próximo desta editora, será importante contarmos com a honra da presença de bloggers nas diversas acções de lançamento da obra.

Nesse sentido, solicitávamos indicação de morada ou preferência por receber o convite por mail para negratinta@gmail.com, bem como qual dos eventos escolhem para nos honrar com a sua presença.

Lançamento e Apresentações:

31 de Maio Funchal
8 de Junho Penafiel
14 de Junho FNAC Norteshopping, Porto
28 de Junho FNAC Chiado, Lisboa
5 de Julho FNAC Coimbra


Aproveitámos ainda para solicitar que qualquer manuscrito que entendam colocar à consideração desta editora para possível publicação, seja enviado por este mail, ao meu cuidado, estando previsto editarmos até 4 obras, nascidas na blogosfera, até Março de 2008.

Saudações Literárias,

Nélia Maria Pereira
Edições e Comunicação
NEGRA TINTA EDITORIAL

Gui disse...

Magnífico. Que belo texto. Que beleza de esctita. Fiquei deslumbrado minha amiga. Depois de ler isto, não sei se voltarei a pegar na caneta, quero dizer, no teclado. Um beijinho

o alquimista disse...

Fica sempre gravado no tempo o sincero sentir...


Os teus pés são navegantes na espuma, o teu cabelo dança em descuidada ironia, suave viagem de ondulante onda em tua boca, duas sílabas sopradas em mágica melodia…

Bom fim de semana

Doce beijo

o alquimista disse...

Fica sempre gravado no tempo o sincero sentir...


Os teus pés são navegantes na espuma, o teu cabelo dança em descuidada ironia, suave viagem de ondulante onda em tua boca, duas sílabas sopradas em mágica melodia…

Bom fim de semana

Doce beijo

igara disse...

Sabes Luar, ás vezes, é mesmo complicado comentar-te, porque acabo sempre por me render à Beleza da forma como escreves. Mesmo, sendo folha amachucada, arrancada, excluída... terás sempre a certeza de serem folhas de Vida. Vida intensa, desmedida com entregas feitas na medida do teu ser e do teu Sentir!
Muitos beijos e abracinhos assssimmmm deste tamanho...:)

o alquimista disse...

Hoje vou celebrar os dos da terra sem a tua companhia, misturar-me com os sons do mundo sem coisa alguma, ao partires abriste em meu coração um caminho, sonhos perdidos na espuma…


Boa semana


Doce beijo

o alquimista disse...

Hoje vou celebrar os dos da terra sem a tua companhia, misturar-me com os sons do mundo sem coisa alguma, ao partires abriste em meu coração um caminho, sonhos perdidos na espuma…


Boa semana


Doce beijo

Vlad disse...

Um belíssimo texto, muito bem escrto e cheio de ritmo é a miha opinião. Ficamos presos a cada lamento, refectimos em cada "acusação".
Excelente, comme d'habitude ;)

Uma folha de um livro/caderno, mesmo arrancada, separada do todo, consegue fazer sentido.
Fora do todo é ela a primeira e a última, o início e o fim. É ela o próprio todo em redefinição.

Bjnhs