domingo, fevereiro 28, 2010

NATUREZA


A natureza recolheu-se nas profundezas

de cada ser, fechou os olhos cansados,

poisou as mãos tristes e guardou as asprezas

dos dias vãos, desiludidos e esgotados,

num rito de agonia silenciosa e fria.

O céu encobriu-se, como que por magia,

e a chuva ondulante, crepitante e pura

caiu...Caiu...Caiu...Noite e dia, noite e dia.

A natureza chora na melancolia dura

de um rosto sem tempo de cor sombria

e olhos cegos de solidão.

Onde está a tua mão?

Onde está o teu olhar, o teu rosto?

Onde estás para que a natureza viva?

quando voltas a acender o teu gosto,

a deixar que a esperança reviva?

A natureza permanece muda, calada

sem cor e sem animo. Resguardada

numa redoma de vidro fosco, encerrada

em cada ser distante e alheado.

A natureza está tolhida e amarrada

a um cais velho e amargurado.

Quando voltas para soltar amarras?

3 comentários:

Juℓi Ribeiro disse...

Lindo e verdadeiro.
A Natureza sofre e se revolta...

Mas até as lágrimas da Natureza
se renderiam ao encanto e sabedoria de teus versos.

Beijo.

rita disse...

"Quando o Sol se esquece de brilhar no céu, fá-lo brilhar no coração e na alma: abre as portas às boas recordações, abre as portas às palavras que te preencheram, abre a vida à descoberta do mundo e dos outros."
Lembraste? Obrigada pelo mimo de força no ínicio da semana passada ;)

jo ra tone disse...

Brilhante poema.
Tudo dito em bem escolhidas palavras sobre o tempo dos últimos tempos.
Mas agora parece que irá ser diferente.
Já aparecem as andorinhas, o abrunheiro mostra a sua flor, o sol mostra a sua graça.

Beijinho