sábado, maio 04, 2013

CRISTALIZADO PRANTO


A ave branca e doce eleva-se breve na manhã de purpura e ouro.
O adejar suave das asas translucidas é uma promessa de amor,
um ardente desejo em coração inocente, puro e encantado.
Os matinais raios de luz são como espigas de trigo maduro e louro.
A brisa morna embala todos os corações em secretíssimo fulgor,
e o voar liberto da branca ave risca o azul do céu enamorado.

As areias quentes ondulam sob os dedos escaldantes do sol,
como pele desnudada sob mãos de amante.
Lá no alto, a breve ave lança uma doce aragem ao passar.
As agruras cá na terra quase que se tornam uma massa mole
que se molda e desmancha. Uma nuvem errante...
Um rio manso que cantando se precipita no imenso mar.

A doce ave branca desce mansa sobre a terra ressequida e dura,
trás no bico uma rubra rosa a sangrar, nas patas trás um punhal.
Dos seus olhos escorrem lágrimas de cristal e mágoa pura, 
da sua alva plumagem resta apenas um sonho intemporal...
Uma quimera na qual pôs toda a sua alma de pássaro branco.
A areia emudeceu,
o sol escureceu,
o amor morreu,
apenas a ave permanece alva em cristalizado pranto.


3 comentários:

Flor de Jasmim disse...

Simplesmente lindo minha querida amiga!
Bom domingo

beijinho e uma flor

Nilson Barcelli disse...

Há prantos que cristalizam...
Magnífico, gostei imenso.
Um beijo, minha querida amiga.

A.S. disse...

Esta noite, aves brancas dançaram no meu rosto!...

Beijos!
AL