segunda-feira, junho 16, 2014

ODOR DE SOLIDÃO

Paira no ar quente da tarde agreste  o odor da solidão.
Como víbora em contorções espasmódicas, aperta o cerco,
estrangula a voz, rasga a alma, dilacera o coração. 
É acre e intenso. Queima e destrói à sua passagem,
é como um pântano escorregadio onde me perco.
Paira o odor frio deste caminho onde a mensagem
se cola à pele como as gotas de orvalho matinal.

E as garras desta solidão cravam-se na carne desnudada
pelas palavras proferidas como cavalos à desfilada.

Paira nesta tarde quente o frio da solidão abismal,
como dedos de chuva escorrendo livremente
colhendo todos os frutos que o amor amadureceu,
e as bocas sedentas não tocaram, não provaram.
Paira como sede que água alguma dessedente,
como a aranha cuja teia ainda não teceu.
Paira como lágrimas que ainda não se choraram.

E as garras desta dolorosa solidão dilaceram a alma
sem dó nem piedade, vão-me rasgando silenciosas, com calma.

3 comentários:

Flor de Jasmim disse...

Comovente!
Minha querida infelizmente a solidão é um dos piores inimigos do ser humano, sei porque falo, sei o quanto sofri e como companhia, apenas tinha a solidão que não me abandonava, até que, devagar, muito devagarinho e partiu, mas não me esqueceu...e quando sente saudade vem visitar.

beijinho e uma flor

A.S. disse...

De tão longe me tocaste.
Ou foi a tua sombra
que dançou sobre a minha?


Beijoss...
AL

Nilson Barcelli disse...

A solidão é tramada...
Gostei deste teu poema, é magnífico.
Tem uma boa semana, querida amiga.
Beijo.

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