sexta-feira, junho 27, 2014

DESERTO









Ocas as horas e os dias, vãs as esperanças,
vazios os olhos sem rumo e as mãos sem par.
Pés que caminham sem saber bem para onde,
deixando-se arrastar por efémeras lembranças
de um tempo que se esgotou e dissolveu no ar.
Aos enganos e desenganos não há quem os sonde,
quem os entenda, os segure, os esgrima firmemente,
e deles fazemos mortalhas e deles fazemos repasto,
e deles nos agrilhoamos como eterno deserdado.
A estrada é longa e sinuosa, traiçoeira certamente,
o sol cresta sem piedade e o caminhar é duro e gasto.
A sombra projectada no caminho é de solitário condenado.

As horas correm ocas esvaziadas de sentido e de rumo,
as mãos deixaram de procurar outras mãos para prender,
os olhos morreram neste deserto que assumo
como cama e como lar, como história por viver.

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

O tempo muda-nos.
Há que resistir...
Um magnífico poema, gostei imenso.
Bom resto de semana, querida amiga.
Beijo.

Flor de Jasmim disse...

As esperanças serão as últimas a perder, no entanto quando o vazio se sobrepõe, será difícil que não ficarem vãs!

Após uma ausência forçada, estou de volta aos pouquinhos.

Beijinho e uma flor