segunda-feira, agosto 29, 2016

NASCER E OCASO...SÓ MAIS UM DIA


Ver o dia nascer e o tempo deslizar, breve e suave,
como um suspiro de amor preso no peito calado,
entalado, como um grito surdo que vem morrer, grave,
nas mãos de um egoísmo rude e descarado.
Ver o dia correr como brumas em ilhas encantadas,
como lágrimas duras há muito esgotadas.

Ver o dia crescer e o tempo estiolar como papoila
em seara madura e pronta a ceifar.
Ver o dia passar, calmo e devagar, no olhar da moçoila
que perdeu a inocência no conjugar do verbo amar.
Ver o dia a esfumar no passar de cada hora,
na certeza do vazio que em mim acampou e mora.

Ver o dia a morrer e o tempo somente passar,
sem apagar os traços da dor que se abateu sem avisar.
E por um pé à frente do outro e obrigar a caminhar.
Ver o dia a definhar e a lua, redonda, a brilhar
no céu escuro da ausência de uma vida e de um olhar.
Ver o dia que acabou numa chama sem calor,
numa luz que esmoreceu, neste coração sem amor.





3 comentários:

Zélia Chamusca disse...

Tive saudade e vim entrar em "Lágrimas de Lua", para ver a lua redonda a brilhar no olhar e na sensibilidade de uma poetisa impar.
Parabéns, Luar
ZCH

Jaime Portela disse...

Ver é muito importante...
Magnífico poema, querida amiga, gostei imenso.
Luar Perdido, tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijo.

Helena Medeiros Helena disse...

Ver o dia nascer, correr, crescer, passar, esfumar, morrer, definhar, ver que o dia acabou "numa luz que esmoreceu" num coração sem amor... É triste sim, minha amiga, pois o amor é mesmo aquela chama que faz o dia ficar mais bonito, mais claro, mais colorido...

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