sábado, janeiro 07, 2017

SEM ETERNIDADE NEM TEMPO

Eternidade é um segundo de sol doirado,
é uma lágrima mais sentida num sonho acabado.
Eternidade é a maré sem oceano nem ondas,
onde mergulho as mãos sem sentir frio ou calor.
Eternidade é um não cá - nem lá - para além do desamor.

Eternidade toca-se com a ponta dos dedos e perde-se
com um piscar de olhos: ainda que atentos; Perde-se.
Eternidade é uma sombra que se esconde em cada suspiro,
e se apaga, a cada anoitecer, nas dobras do manto aveludado
de um oblívio quase etéreo. Como anjo a ouro encastoado.

Eternidade é um momento - suspenso - num tempo sem tempo.


3 comentários:

LuísM Castanheira disse...

há segundos, minha Amiga, que se tornam uma verdadeira eternidade.
mas ser eterno deve ser uma canseira...
sendo mortais, valorizamos a vida em cada tempo do nosso escasso tempo.
Gostei muito do poema é de todas as 'eternidades' nele contidas.

Um beijo, Amiga e bom fim-de-semana.

luar perdido disse...

É verdade, Amigo Luís, há segundos que são uma eternidade. Mas o "eterno" com ar de "para sempre" não existe - é uma arma poética - bonita, mas... Apenas isso. Tendo a concordar consigo; Seria uma canseira.
Que possamos continuar a valorizar os momentos de eternidade, nesta nossa mortalidade, em cada fracção de segundo "eterno".

Boa semana, querido Amigo. Um beijo para amenizar o escasso tempo deste tempo.

Flor de Jasmim disse...

Quem amamos são eternos nos nossos corações, mas apenas até que venha aquele sopro de vento!

Lindo demais.

Beijinho minha querida amiga.