quarta-feira, fevereiro 22, 2017

EM NÓS DE BRANDAIS... A VIDA.

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imagem retirada da net

Uma estrada, um mar, uma nau catrineta de brincar:
nos olhos as brumas de um sedento sonhar, 
e nas mãos o leme - firme - de um rumo por mapear.
Uma estrela - cadente - de perdido mar, vem confiante e doce
no meu peito habitar. Deixa que o coração bata e esboce
um novo alento, um novo alvorecer na iniciada aceitação.

Deixo o cais de ensombrados desalentos e dolorosos punhais,
abro as velas aos ventos, enfrento ondas e marés sem arrais.
Da mágoa fiz uma âncora, amarrei a tristeza com duros nós de brandais.
Olho as estrelas, de enfarruscado céu, e a lua - lá do alto -, brilha,
como um luzeiro de fogo frio e distante: é a minha cartilha
nesta viagem sem início nem fim - viagem de paz e perdão.

Levo nos olhos um astrolábio de mundos a florir,
nas mãos um mapa de um tesouro ainda por descobrir,
e no corpo tatuei a palavra - amor -, apenas para me punir.
E a minha nau catrineta navega afoita em verdes mares,
enquanto ofereço uma muda prece em todos os altares,
em cada ermida de sonhos, esfumados e perdidos na imensidão.

Uma estrada, um mar, uma prece, uma nau catrineta de brincar....Apenas a vida a passar.

1 comentário:

LuísM Castanheira disse...

Um belo poema a culmatar tão longa ausência...
E, cada um dos cabos que seguram os mastaréus, de nós firmes, numa viagem por dentro de tantos mares.
(gosto mais de pensar que somos nós a passar pela vida - perspectiva menos dolorosa).
Um beijo, Amiga