terça-feira, julho 18, 2017

ESPAÇO POR PREENCHER




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imagem retirada da net
Neste espaço onde se perde o querer,
onde a alma tropeça sem perceber
que errou no caminho escolhido.
Neste espaço onde se juntam os restos
de um acreditar sem tamanho; todos os gestos
que ficaram a morrer sem mais sentido.
É neste espaço que retoco a face, enxugo a dor,
calo a tristeza, componho o cabelo sem cor
e o olhar sem brilho. Visto o vestido de primavera
para me esquecer do frio e escuro inverno.
É no silencio deste espaço, de amordaçado inferno,
que procuro as lições com que a vida me tempera,
me molda, me torce e retorce, e me veste de bruma.
E me veste de encanecido sonho, desvanecido na espuma
de um tempo arrancado ao tempo. De um tempo que passou.
Neste espaço de atabafado ser andante, sem varinha de condão,
sem passes de mágica; onde apenas a construída solidão
impera – rainha –, senhora e dona de tudo o que restou.
Neste espaço de limbo sem sentires, de dor embotada
de tanto doer. De caminhos feitos de passos incertos a tropeçar,
e decisões que o tempo impõe e a vida se empenha em retardar.
Neste espaço que medeia o ontem e o hoje, ponte tão desejada;
ponte tão amada, ponte tão querida, ponte tão amargamente sofrida…
Neste espaço que, hoje, refaço com o que sobrou do sonho desfeito,
ainda há lugar para memórias, ainda há lugar para a dor e, por defeito,
há lugar para a esperança – uma ténue sensação de partida.
Neste espaço onde se perde o querer…
Neste espaço onde se juntam os restos…

Neste espaço inundado de um tempo para esquecer.





lágrimas de lua

3 comentários:

luna luna disse...

Quando deixamos a dor, a saudade, o passado invadir a nossa vida fechamos a porta, as janelas, o coração, a vida, para viver, e se estamos vivos temos a obrigação de viver, pois a cada instante podemos fazer a diferença na vida dos nossos irmãos, com um sorriso, uma palavra um abraço, pois como nos há quem sofra e precisa de conforto, jesus nos ensinou que mesmo no sofrimento na dor no desespero podemos ser uma luz para nos e nossos irmãos.

espero que seja só um poema, pois tem muita dor, desespero e esquecimento de si mesma, bjs

Jaime Portela disse...

Haja esperança para que os espaços por preencher sejam ocupados por bons e duradouros residentes...
Um texto intenso com uma excelente narrativa.
Gostei muito, mesmo.
Querida amiga, um bom fim de semana.
Beijo.

Mariazita disse...

Ia passando e resolvi fazer uma paragem rápida, que acabou por não ser muito rápida... pois estive a ver alguns dos posts anteriores.
Confesso que gostei muito, e voltarei sempre que possível.

Todos nós temos um "espaço" onde guardamos as coisas que não cabem em nenhum outro espaço, coisas esparsas, indefinidas, sem classificação especial... mas sem as quais ninguém pode viver.
Gostei muito deste "Espaço por preencher", afinal tão preenchido...

Se quiser visitar-me dar-me-á muito prazer.
Não posso fazer-me seguidora porque não tem painel de seguidores. Mas vou anotar o endereço para não lhe perder o rumo.

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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