sexta-feira, julho 28, 2017

ENTRE O AQUI E O AÍ - VAI UM MAR DE SAUDADES





Estou a olhar para as nuvens tentando ver para além delas, como se disso dependesse a vida.Como se tal me fosse permitido; sabendo eu, como sei, que não é. Ainda assim, olho – forço o olhar –, porque te quero ver! Nesse teu novo lar, nessa tua dimensão de paz e luz. O sol está envergonhado neste dia em que, insistentemente, relembro uma partida.Encobre-se comigo!
O sol vela-se para deixar brilhar uma outra luz – a tua –, estrelinha que cintila lá bem no alto. Sabes? Hoje a dor da saudade é mais mansa, mas nem por isso, menos intensa. 
Ao contrário; o tempo passa, mas este amplo espaço, que deixaste, continua vazio, tão dolorosamente vazio! Achas que algum dia deixarás de me doer?
E continuo a olhar para as nuvens. Vão mudando de forma pela mão moldadora do vento – ventania corroente -, resvalam, como lava, pelo céu sujo de tempo cerceado. Como maratonam estas nuvens de saudade! E eu esforço-me por ver através delas; para lá do que escondem aos nossos olhos. Estico-me, como criança de colo que quer ver os palhaços no circo, mas apenas vejo algodão branco, algodão cinzento, algodão rosado – algodão. As asas dos anjos que nos velam as noites (e os dias), os mensageiros de Deus, ou de um deus, ou de uma força superior, ou …
E as nuvens desfilam, em parada, sobre a minha cabeça; acabam por acalmar a dor, mascarar o vazio, calar as lágrimas que, invariavelmente, solenemente, dolorosamente, ainda caem, ainda inundam o rosto, as mãos - a vida. Talvez este desfile celestial seja um beijo teu… Tu sabes que eu adoro a natureza! Acredito que tenhas pedido ao Pai para me dar um sinal, um sinal que estás aí; perdão! Que estás AQUI!!!
É isso, não preciso de ver mais nada, procurar mais nada; já tenho tudo o que posso ter!

Minha estrelinha recebe um beijo meu daqui até aí. Hoje e sempre.


lágrimas de lua


1 comentário:

Nidja Andrade disse...

Muito bonito tudo por aqui. Não encontrei espaço de seguir!