sábado, janeiro 23, 2010

LAGRIMAS DE LUA

Um fio de prata brilhante

caindo do céu negro, aveludado,

desce manso e deslizante

desce brando e prateado.
Cai devagar sobre a terra,

deserta, nua, silenciosa,

escorre na planura deserta,

fio de água preciosa.

A lua solta-o do alto

soluçando de mansinho,

lágrimas sem sobressalto

apenas da lua caindo.

Brandas lágrimas, raio de lua,

descendo claro e prateado

sobre a terra deserta e nua,

tributo a algum pecado.

Um fio de prata brilhante,

desce somente da lua...



sábado, janeiro 16, 2010

NEGRO ANJO


O anjo negro abriu as asas sobre o mundo,

ceifou vidas, casas, sonhos e deixou

atrás de si o silencio magoado e profundo

das almas que ficaram. O grito chorou

bem alto na noite imensa e insana.

O negro anjo rodopiou sem descanso,

arrebanhou nas asas silenciosas

o grande, o pequeno, o raivoso e o manso,

como canoas leves em vagas alterosas

num fragmento de noite tirana.

O grito morre na garganta atordoado

e sem cor, a dor mora no lamento

do olhar aberto de horror estampado,

e o coração chora no passar do tempo

sem entender o voo do negro anjo alado.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

DISTANTE FEITICEIRA

Desce a noite mansa sobre o coração vazio,
a lua feiticeira distante, rebrilha, prateada
no escuro céu, opaco manto frio.
O silencio pesado,minha companhia alada,
caminha denso a meu lado, passo a passo,
percurso batido e sabido que faço
de cor e sem sentido, vogando como folha
na imensidão de um vago sentir não sentindo.
Ao sabor do vento quente flutuo numa bolha
isolada e transparente, subindo sempre subindo,
descendo cada vez mais descendo...
E doendo, doendo, sempre doendo.
Nasce um novo dia sobre o coração vazio,
a bruma fresca da manhã acorda a vida,
só não aquece este eterno e duro frio
que me invade sem tamanho nem medida.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

QUANDO


Quando a lua descer sobre as águas

e dos raios prateados tecer sonhos brilhantes,

e o frio da noite calar todas as mágoas

e das duras lágrimas fizer tiaras de diamantes,

o grito trancado na garganta terá voz.

Quando o Inverno cobrir com o seu manto

toda a dor e a agonia, toda esta heresia

de uma alma em chaga e mudo pranto

e enterrar de vez a louca e doce fantasia.

Este grito agudo e mudo terá voz.

E quando o sol romper de novo as trevas

do querer desmesurado e quase maldito,

e tu, alma velha, de novo te atrevas

a acreditar que tudo é possível e infinito,

então o grito cantará no teu peito a plena voz

não mais prisioneiro de um inventado "nós",

liberto dos grilhões de um sonho belo mas atroz

bordado por minhas mãos a ponto de retrós.

Quando a lua descer prateada sobre as águas...

sexta-feira, janeiro 01, 2010

LIVRO NOVO


Livro aberto no regaço

as páginas imaculadas,

aguardam mansas pelo traço

das minha letras desenhadas.

Livro em branco, novo ano.

Quantas linhas por escrever,

quantos sonhos, tristezas e dano,

quantas alegrias por viver?!

Nas tuas páginas desertas

ávidas de tinta e de cor,

escondem-se mil descobertas,

tristeza, sonhos, lágrimas e amor.

Livro aberto no regaço,

caneta à espera entre os dedos,

de escrever mais um pedaço

dos meus sonhos, vida e medos.

Novo livro no regaço...

domingo, dezembro 27, 2009

TEMPESTADE


Há uma ventania que enfuna a vela solta
da pequena barca perdida e já sem rumo,
singra a custo contra a maré revolta
tentando manter a rota, manter o prumo.

Mas o mar teimoso, encapelado e duro
açoitando os flancos desagastados
corrói a madeira, destrói esse muro
que separa as almas dos desgraçados.
E o vento enchendo a vela bamba
empurra, torce, geme grita e rodopia,
sob a sua gritaria a barquinha camba
arrastando as vidas em agonia.
A ventania cresce enrugando as águas,
tragando as almas frágeis num turbilhão,
entrechocam-se as ondas de encontro às fraguas
e as lágrimas descem mansas na solidão.


quarta-feira, dezembro 23, 2009

FESTAS FELIZES

A LUZ, fez-se pequena estrela para iluminar os caminhos dos homens todos os dias das suas vidas.
O AMOR, desceu à terra no choro indefeso de uma criança para que os homens tivessem a VIDA que jamais tem fim.
No NATAL apenas relembramos com mais intensidade tudo isto. Hoje chega-nos mais um NATAL, façamos dele um hino de Glória, Vida, Amor e PAZ.

FELIZ E SANTO NATAL

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...