terça-feira, setembro 06, 2011

NOITE SEM PEJO



Quando a lua descer sobre a imensidão do desejo,

quando as estrelas explodirem em mil estilhas,

e o grito rasgar a noite sem pejo.




Quando as mãos sofregamente se tocarem

e as lágrimas redondas das partilhas

descerem mansas pela face e se entregarem.



E quando os corpos sem barreiras se doarem

nos doces lençóis da madrugada,

e banhados pelos raios de sol entoarem



a melodia suave da efémera felicidade,

deixando a indelével marca enrugada

de uma vida sem saída.



Então o noite será um fulgurante momento de intensa e breve euforia.



sábado, agosto 13, 2011

COISAS TÃO PEQUENAS



Coisas pequenas, tão pequenas, deixam marcas, grandes e doridas marcas.
Parecem insignificantes na sua pequenez, minúsculas e parcas,

e no entanto abrem fundos sulcos como corregos sofridos e duros.

Como grilhetas, ferros, mordaças e inescaláveis muros

de calada dor e imensa solidão, de luta renhida sem fim à vista.

Coisas pequenas de longas sombras, e na onda, bem lá na cinzenta crista

equilibra-se o desespero e a esperança, a luz e a sombra, o sol e lua,

a vontade e o abandono, o amor e o ódio, e esta verdade nua e crua

que marca cada passo, cada suspiro, cada dia e cada noite...

São coisas pequenas, mas tão pequenas e no entanto...

Tão imensamente presentes, tão intensamente marcantes,

tão desesperadamente torturantes.

Coisas pequenas, tão pequenas....

terça-feira, julho 26, 2011

PONTE POR ATRAVESSAR

Entre o sorriso e a lágrima há uma ponte atapetada de pétalas rubras.

Há a cumplicidade do querer, o desejo do amar, a aridez do não ter.

Entre o sorriso e a lágrima ficam as lutas e as feridas de guerra,

ficam os beijos, as caricias, ficam os sonhos por realizar,

e as cores do arco-iris por pintar. Ficam as mãos em espera desertas de outras mãos que as possam apertar.




Entre o sorriso e a lágrima há esta ponte que atravesso

pisando as rubras pétalas, cumprindo a aridez do não ter,

vivendo a cumplicidade do querer e abraçando o desejo do amar.



Entre o sorriso e a lágrima...Há um coração a pulsar.

quinta-feira, julho 21, 2011

APENAS SEI

Apenas sei escrever , apenas sei ter sentimentos.



Apenas sei fugir, e esconder os meus momentos,



apenas me sei resguardar ciosamente,



esconder o pouco que é meu completamente.



Apenas sei escrever; pouca coisa realmente!



Só sei ter sentimentos, e isso que é, sinceramente?





Vou tentando ser diferente, a isto se chama viver,



um lutar eterno constante, cair, levantar e combater.



Mas nada mais sei fazer, apenas escrever e sentir,



foram dons que Deus me deu para poder repartir.



A vida tornou-me uma concha dura de abrir e entender,



talvez pelas palvavras e sentimentos eu me faça perceber.







Mas...Apenas sei escrever e sentir, sentir e escrever,



no fundo é assim que sei viver.

quarta-feira, julho 20, 2011

ERA UMA VEZ...MAIS UMA VEZ

Era uma vez... Outra vez.


E mais uma vez se repete,


parece que a vida se compraz a ir e vir,


somente.


Era uma vez, outra vez


e é assim que compete


a cada um de viver e sempre andar e sorrir,


eternamente.


E era uma vez, outra vez,


Lá para onde se remete


tudo o que não queremos ver nem sentir,


concretamente.


Ah!Mas era uma vez e desta vez


nada será como foi, já mais nada se repete


a vida está de fugida, faz as malas p'ra partir


e uma ultima vez olha para trás tristemente...


quinta-feira, julho 14, 2011

VESTIDO DE ESPUMA E OURO



Acordei em verde leito


feito de sonhos e encanto,


de trinados soluçantes



a rebentar no meu peito.


Vesti-me de espuma e espanto,


de raios solares cintilantes


a reverberar no escuro


deste túnel frio e sozinho.


Entrancei o meu cabelo


com fitas de ouro puro,


perfumei com rosmaninho


este corpo em duelo.


Calcei as sandálias de vento,


Eolo brincando no céu,


abri as asas do desencanto


voguei perdida sem tempo,


cobri-me de denso véu


tecido de mágoas e pranto,


tecido de enganos meus.



quinta-feira, junho 23, 2011

COMO SE FAZ UM CAMINHO?




Quando a luz não rompe a escuridão



e o silencio nos toma pela mão



como criança perdida no caminho,



o que fazer para não perder o rumo?



Quando a dor vem à tona de mansinho



e abrindo a ferida mais um bocadinho,



deixa escapar todo o inverno,



o que fazer para se manter o prumo?



Quando a noite cai estrelada e fria



e a estrada fica ainda mais sombria



agrilhoada e presa num imenso inferno,



o que fazer para olhar o amanhã?



Como se espera por outro amanhecer



quando só o breu envolve todo o meu ser?!

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...