terça-feira, setembro 27, 2011

MENINA-MULHER



De peito erguido e nu, de mãos abertas e sedentas a luta torna-se feroz.

De alma forte, olhos em fogo, e coragem infinita, a luta é renhida e atroz.




Menina-mulher, rosa por desabrochar que a vida obrigou a definhar,

exemplo de animo, de força desconhecida e imensa que tiveste que conquistar.




Entre o sorriso e a lágrima, a coragem e a desilusão, a força e a solidão

de uma luta sem tréguas, onde as armas são tão desiguais. Há sempre uma razão

para não virar costas, para erguer o peito nu e abrir as mãos sedentas de vida.




Há sempre um novo amanhecer, uma noite de lua cheia e de luar prateado,

de calor de um verão imortal, de flores a perfumar o ar quente e ensolarado,

há sempre mais uma restea de força, de esperança que jamais será perdida.




Num circulo de luz, onde as mãos se dão com força, as preces se elevam,

os olhos se embaciam e os corações em compassada harmonia se sublimam.




Neste circulo estás tu - Lutadora, menina-mulher.

quinta-feira, setembro 22, 2011

TODAS AS MARÉS



Se olho para trás, se olho para a frente, somente o vazio me acolhe.


Se olho para os passos que dou, apenas o pó se cola aos pés.


Depois da plenitude vem sempre a queda e só ela me recolhe


nos braços amantes de quem conhece todas as marés,


todos os ir e vir sem rumo certo, sem consistência ou futuro.


Até quando esta caminhada, este rumar a uma meta incerta?


Até quando este vendaval de sentimentos que se abate duro


sobre mim? Sem medida, sem solução, sem decisão certa.


Este limbo estranho e descolorido, onde impera o cinzento,


é o vestido que me cobre o corpo abandonado e vazio,


que se amordaça a si mesmo no silencioso lamento


de um beijo que se perdeu no caminho longo e frio.

sexta-feira, setembro 16, 2011

ASAS DO SILENCIO



Errante. Errante numa estrada sem fim,


onde os passos se perdem na imensidão


de um silencio verde com asas de querubim.


Errante. Errante na desolada solidão


de vozes sussurrantes, longínquas


e soluçantes de vazios loucos, perturbantes.


Errante, somente errante de vidas obliquas


e sonhos mágicos de poetas-amantes.


Errante. Tristemente errante em terra de pó.


Olhos glaucos de penumbra sombreados,


no chão a pegada heroicamente só,


e das mãos abertas caem os sonhos definhados.


Errante...Errante...Errante e só.


terça-feira, setembro 06, 2011

NOITE SEM PEJO



Quando a lua descer sobre a imensidão do desejo,

quando as estrelas explodirem em mil estilhas,

e o grito rasgar a noite sem pejo.




Quando as mãos sofregamente se tocarem

e as lágrimas redondas das partilhas

descerem mansas pela face e se entregarem.



E quando os corpos sem barreiras se doarem

nos doces lençóis da madrugada,

e banhados pelos raios de sol entoarem



a melodia suave da efémera felicidade,

deixando a indelével marca enrugada

de uma vida sem saída.



Então o noite será um fulgurante momento de intensa e breve euforia.



sábado, agosto 13, 2011

COISAS TÃO PEQUENAS



Coisas pequenas, tão pequenas, deixam marcas, grandes e doridas marcas.
Parecem insignificantes na sua pequenez, minúsculas e parcas,

e no entanto abrem fundos sulcos como corregos sofridos e duros.

Como grilhetas, ferros, mordaças e inescaláveis muros

de calada dor e imensa solidão, de luta renhida sem fim à vista.

Coisas pequenas de longas sombras, e na onda, bem lá na cinzenta crista

equilibra-se o desespero e a esperança, a luz e a sombra, o sol e lua,

a vontade e o abandono, o amor e o ódio, e esta verdade nua e crua

que marca cada passo, cada suspiro, cada dia e cada noite...

São coisas pequenas, mas tão pequenas e no entanto...

Tão imensamente presentes, tão intensamente marcantes,

tão desesperadamente torturantes.

Coisas pequenas, tão pequenas....

terça-feira, julho 26, 2011

PONTE POR ATRAVESSAR

Entre o sorriso e a lágrima há uma ponte atapetada de pétalas rubras.

Há a cumplicidade do querer, o desejo do amar, a aridez do não ter.

Entre o sorriso e a lágrima ficam as lutas e as feridas de guerra,

ficam os beijos, as caricias, ficam os sonhos por realizar,

e as cores do arco-iris por pintar. Ficam as mãos em espera desertas de outras mãos que as possam apertar.




Entre o sorriso e a lágrima há esta ponte que atravesso

pisando as rubras pétalas, cumprindo a aridez do não ter,

vivendo a cumplicidade do querer e abraçando o desejo do amar.



Entre o sorriso e a lágrima...Há um coração a pulsar.

quinta-feira, julho 21, 2011

APENAS SEI

Apenas sei escrever , apenas sei ter sentimentos.



Apenas sei fugir, e esconder os meus momentos,



apenas me sei resguardar ciosamente,



esconder o pouco que é meu completamente.



Apenas sei escrever; pouca coisa realmente!



Só sei ter sentimentos, e isso que é, sinceramente?





Vou tentando ser diferente, a isto se chama viver,



um lutar eterno constante, cair, levantar e combater.



Mas nada mais sei fazer, apenas escrever e sentir,



foram dons que Deus me deu para poder repartir.



A vida tornou-me uma concha dura de abrir e entender,



talvez pelas palvavras e sentimentos eu me faça perceber.







Mas...Apenas sei escrever e sentir, sentir e escrever,



no fundo é assim que sei viver.

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...