Como um grito na noite escura a ausência dói,
como o sonho que vem morrer
na maré do tempo passado.
Perdido.
A verdade é como a adaga dura,
como a mó que mói
o sentimento que teima em sobreviver
e se lança contra o rochedo calado.
Emudecido.
Pássaro negro de olhos em fogo,
quantos sonhos rasgaste a rogo
de um destino embravecido?
De um mar louco, enraivecido?
Quantas lágrimas de sal por enxugar,
quantos mais sonhos ainda irás matar?
Como um grito na imensidão da vida,
vazia de esp'rança, plena de certezas,
vulcão de dor, lava de desalento.
Caída na areia húmida, enegrecida,
banhada pela fria lua das profundezas
da ausência e do esquecimento...
Como um grito na noite acesa





